sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Fim de Ano para o Mercado

Bovespa

Melhor investimento do ano, o Ibovespa encerrou 2007 valorizado em 43,65 por cento, aos 63.886 pontos, registrando a quinta alta anual consecutiva da bolsa brasileira, uma das mais rentáveis do mundo.

Com expressivo aumento de investidores, inclusive pessoas físicas, e um número recorde de aberturas de capital, a Bovespa ultrapassou 1 trilhão de reais em giro financeiro este ano e caminha para pelo menos manter esse ritmo em 2008, se nenhuma crise externa atrapalhar.

No último pregão do ano, a volatilidade que se arrasta desde agosto com o agravamento da crise do setor imobiliário norte-americano imperou mais uma vez. Entre ligeiras altas e baixas, o índice fechou em alta de 0,18 por cento. O giro financeiro ficou na média diária do ano de 5 bilhões de reais.

Preocupações com a alta do preço do petróleo, com dados econômicos norte-americanos ruins e com possíveis desdobramentos da morte da líder paquistanesa Benazir Bhutto deram a tônica do dia. No mês, o Ibovespa valorizou 1,40 por cento.

Inflação e PIB

O Banco Central revisou para cima suas estimativas de inflação para 2007 e 2008 e reforçou, em relatório divulgado nesta quinta-feira, o aumento generalizado dos riscos ao comportamento dos preços.

De acordo com o Relatório de Inflação do quarto trimestre, o BC estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano com alta de 4,3 por cento, mesma variação esperada para o fechamento de 2008. A meta de inflação fixada pelo governo para 2007, 2008 e 2009 é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

As estimativas estão acima das projeções do relatório do terceiro trimestre, divulgado em setembro, quando a autoridade monetária calculava uma alta de 4 por cento para o IPCA em 2007 e de 4,2 por cento para 2008.

Dolar

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, última sessão de 2007, em meio à disputa pela Ptax de fim do mês e novas preocupações com o mercado de crédito após a divulgação de dados do setor imobiliário norte-americano.

Mas no ano a moeda norte-americana, que encerrou cotada a 1,777 real, acumulou forte queda de 16,8 por cento, o dobro da desvalorização registrada em 2006, de 8,13 por cento. Em dezembro, o dólar recuou 0,95 por cento.

A Ptax (média ponderada diária do dólar) de fim de mês é usada na liquidação dos contratos futuros da BM&F e nos ajustes dos contratos de swap cambial reverso, realizados pelo Banco Central. No meio da sessão o BC voltou a realizar leilão de compra no mercado à vista, definindo a taxa de corte a 1,7660. Na véspera, a autoridade monetária havia deixado de atuar na compra de dólar no mercado pela primeira vez em quase três meses.

Risco país

O risco Brasil, medido pela JPMorgan, subiu 10 pontos-básicos, para fechar em 215 pontos, no final da tarde.

Estados Unidos
Mercado Imobiliário

As vendas de novas moradias nos Estados Unidos caíram em novembro para a menor taxa registrada desde 1995, mas a atividade econômica subiu no período, de acordo com relatórios divulgados nesta sexta-feira que mostram alguns bolsões de crescimento apesar da desaceleração do setor imobiliário.

A venda de casas novas registrou uma queda de 9 por cento, para uma taxa anual de 647 mil unidades em novembro, ante dado revisado para baixo em outubro de 711 mil unidades, informou o Departamento de Comércio.

O aumento das execuções hipotecárias e dos calotes nos pagamentos afetou os mercados financeiros nos últimos meses. Bancos registraram baixas contábeis de dezenas de bilhões de dólares em créditos ruins, e as taxas de juros dos financiamentos subiram, o que ameaça travar o crescimento econômico dos Estados Unidos.

Os dados sobre vendas desta sexta-feira sugerem que o mercado de imóveis novos pode ter espaço para novas quedas, já que os estoques de casas à venda subiram para 9,3 meses ante taxa de 8,8 meses em outubro. O preço médio de venda para uma casa nova no mês passado caiu para 239.100 dólares, ante 240.100 dólares no mesmo período do ano passado.

Europa

As ações européias fecharam em queda nesta sexta-feira, quebrando uma sequência de quatro altas consecutivas na última sessão completa do ano à medida que uma queda nas vendas de imóveis nos Estados Unidos e preocupações com o aperto do crédito abalaram os mercados.

O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, caiu 0,2 por cento, para 1.506 pontos, após subir quase 2 por cento nas últimas quatro sessões.

Restando apenas uma meia sessão, na próxima segunda-feira, para o encerramento do ano, o índice europeu acumulou alta de 1,5 por cento em 2007, pior marca anual do índice desde 2002, quando ele caiu mais de 30 por cento. No ano passado, o índice registrou uma valorização de 16 por cento.

Ásia

As principais bolsas de valores da Ásia fecharam em queda nesta sexta-feira, após o assassinato, na véspera, da líder oposicionista e ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto. A morte gerou preocupações sobre turbulências políticas regionais e uma migração dos investidores para ativos menos arriscados, como títulos de governo e o ouro.

As preocupações políticas fizeram os investidores desistirem do dólar para comprarem ienes.

O apetite por risco também foi afetado por dados econômicos dos Estados Unidos, que mostraram um aumento menor que o esperado nas encomendas de bens duráveis e um crescimento acima do estimado nos pedidos de auxílio-desemprego.

A combinação dos dados fracos com notícias relacionadas à morte de Bhutto levaram o índice Nikkei, da bolsa de TÓQUIO, a fechar em queda de 1,65 por cento, em uma sessão curta que finalizou 2007. O indicador caiu mais de 11 por cento em 2007, a primeira queda anual em cinco anos. O desempenho caminha para ser o pior entre as principais bolsas de valores do mundo este ano.

Fonte: Reuters

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