quinta-feira, 5 de junho de 2008
Investimentos - Critérios de peso na avaliação
VARIAÇÃO DO RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO
O chamado delta ROE é um indicador de rentabilidade que relaciona lucro e patrimônio da companhia. Para o investidor, quanto maior o aumento do retorno, melhor.
PREÇO SOBRE LUCRO
É a relação entre o preço da ação e o lucro obtido pela companhia. Uma relação alta entre preço da ação e o lucro obtido pela companhia indica que os investidores esperam lucros crescentes da empresa.
PREÇO SOBRE VALOR PATRIMONIAL DA AÇÃO
É a relação entre o preço do papel e o valor patrimonial por ação. Quanto maior o P/VPA, mais o mercado está disposto a pagar pelos papéis.
DIVIDENDO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
É a soma dos dividendos e juros pagos sobre o capital, divididos pelo patrimônio líquido. Mostra o retorno do investidor com o pagamento de dividendos feito pela empresa.
OSCILAÇÃO
É a variação (valorização ou desvalorização) da cotação da ação no período.
VOLATILIDADE
Mede o sobe-e-desce da ação. Um papel pouco volátil não registra alterações bruscas de preço. Quanto menor a volatilidade, melhor para o investidor.
LIQUIDEZ
CSN é líder em valorização com alta de 157%
Para o investidor que pensa em aplicar em ações de maneira mais madura, com maior margem de segurança e mirando o longo prazo, há uma regra básica: não escolher papéis apenas com base na valorização, seja +num período passado, seja numa expectativa para o futuro. 'As projeções de que uma ação vai subir devem ser vistas sempre com suspeita. O investidor não deve comprar só porque acredita que o papel vai subir. Isso não é tudo', afirma Fernando Exel, presidente da Economática, empresa de consultoria e pesquisa financeira.
A pedido da Agência Estado, a Economática calcula anualmente o Ranking AE Empresas, que chega a sua oitava edição e classifica o desempenho de ações de acordo com sete critérios, como volatilidade e liquidez (veja o quadro abaixo). Foram avaliadas 161 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões. O estudo indica os papéis que tenham não apenas se valorizado o máximo possível ao longo de um período, mas tenham conseguido isso de forma estável, que tenham pago mais dividendos e sido fáceis de vender a qualquer momento - tudo isso acompanhado por melhora real nos resultados da empresa. No Ranking em 2008 (que utiliza os dados fechados de 2007), a empresa com melhor desempenho nesses critérios é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) - confira, na tabela ao lado, as 10 primeiras colocadas.
Entre os ótimos resultados obtidos pela CSN e que a colocaram no topo do Ranking está aquele mais visível pelos investidores: a valorização de 157% dos papéis ON da empresa no ano passado. Mas diversos fatores contribuíram para essa colocação. 'Estamos colhendo os frutos dos investimentos que fizemos para ter uma operação integrada', diz o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch. 'Por competência e sorte, investimos em setores que estão muito aquecidos.'
As ações da CSN encerraram o ano com relação entre o preço e o valor patrimonial por ação (P/VPA) de 5,4 vezes, indicativo de que os investidores têm uma elevada percepção de valor dos seus papéis. A empresa também se destacou pela variação do retorno sobre o patrimônio líquido (delta ROE), que subiu 24,2 pontos porcentuais.
A importância de uma avaliação mais completa de cada papel cresceu desde o ano passado. Com a volatilidade das bolsas, acentuada desde meados do ano passado em razão do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, o investidor passou a buscar empresas mais sólidas, cujas ações oscilem menos e sejam facilmente negociadas. São as chamadas ações de valor ou velho estoque, que em muitos momentos podem até subir menos que o Ibovespa, mas proporcionam retorno garantido aos investidores.
Esta edição do Ranking espelha a escolha dos investidores por solidez. Embora alguns indicadores utilizados para a classificação das empresas neutralizem o tamanho, das dez premiadas, seis estão entre as 27 maiores do Brasil em valor de mercado, segundo dados da Economática. 'Em momento de oscilação intensa, o investidor favorece ações com menos volatilidade e alta liquidez', diz Exel.
A ação mais líquida do Ranking foi a Petrobrás. A combinação desses dois fatores é fundamental para que o investidor não perca dinheiro, caso seja obrigado a vender as ações em certo momento, por alguma emergência. Papéis com alta volatilidade podem passar por períodos de baixa, mesmo apresentando valorização ao longo do tempo. Papéis com baixa liquidez são difíceis de transformar em dinheiro rapidamente ou tendem a se depreciar muito numa venda apressada. Por isso, voltaram à lista das dez primeiras colocadas os grandes bancos, com Bradesco e Itaú.
Outro fator obrigatório, para quem pensa no longo prazo, é o pagamento de dividendos. Trata-se da remuneração oferecida aos acionistas, com base no lucro da empresa, periodicamente. A maioria das companhias brasileiras costuma fazê-la anualmente, enquanto os grandes bancos adotam distribuição mensal. O pagamento de dividendos robustos torna o papel mais atraente. Nesse quesito, a ação mais bem colocada foi a PN da AES Tietê.
Além dos critérios de desempenho, duas exigências crescem em importância: boa governança corporativa e boas práticas de sustentabilidade. Os prêmios Destaque Novo Mercado e Destaque Sustentabilidade foram vencidos nesta edição por Positivo e Bradesco, respectivamente. Os prêmios foram entregues em São Paulo, na terça-feira, pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Ganho com ações pode dobrar até o fim do ano
A previsão é que o Ibovespa chegue ao fim do ano a um nível entre 80 mil/82 mil pontos, o que acenaria uma alta superior à acumulada nos cinco meses iniciais do ano. Parte do mercado, contudo, aposta em que o índice encoste em 85 mil pontos.
A trajetória da Bolsa até lá estaria longe de ser linear, porém, por causa de algumas incertezas. Uma delas, mais a médio prazo, está associada à alta da inflação, que pode exigir novas elevações da taxa básica de juros, no momento que o grau de investimento possibilitaria que a economia rodasse com juros mais baixos, comenta Santalúcia. Ele não descarta a possibilidade de que o juro básico chegue a um nível em torno de 14% no fim do ano. "O cenário de curto prazo é otimista, mas o médio requer maior atenção não só do Banco Central, mas também do governo na questão fiscal."
Um fator amortecedor dos solavancos provocados pelos grandes investidores está na maior presença de investidores pessoas físicas, que participam com cerca de 28% dos negócios na Bovespa, principalmente por meio dos clubes de investimento, avalia Santalúcia. "Quem aplica bem assessorado e com base em fundamentos pode comprar papéis da Petrobrás e esquecer ‘soluços’ no mercado provocados pelos grandes investidores."
A compra de ações deve fazer parte da política de diversificação da carteira de investimentos para retorno no longo prazo, diz Bidoy, da Bradesco DTVM. Ele sugere que a carteira de ações esteja dividida em papéis de pelo menos quatro setores: petróleo, banco, siderurgia e imobiliário.
O superintendente de análise Carlos Firetti, também da Bradesco DTVM, diz que setores ligados à economia doméstica são atraentes, mas a escolha dos papéis deve ser mais criteriosa. Ele lembra, por exemplo, que há papéis de empresas de setores menos atraentes com bom potencial de valorização diante de boas notícias mais que ações de setores considerados atraentes cujos preços estão em níveis elevados.
Firetti sugere ainda que se reavalie e repense periodicamente os papéis em carteira, mediante uso de ferramentas disponíveis em sites especializados ou consultas a analistas e especialistas do mercado.
Investir em cotas garante flexibilidade maior do que comprar para alugar
Por aí, o consultor de investimentos Sérgio Belleza Filho diz que é muito mais interessante para uma viúva receber de herança R$ 1 milhão em cotas de FIIs do que o mesmo valor em imóveis. 'A praticidade de comprar e vender as cotas dos fundos é tamanha que ela poderá levantar rapidamente o dinheiro para uma viagem à Europa, o que não ocorreria com um testamento formado por imóveis.'
Responsável pela formatação do primeiro FII no País, o Memorial Office Building, e tendo estruturado o primeiro FII pulverizado com registro na Bovespa, Belleza Filho aponta as muitas vantagens dos FIIs em relação à compra direta de uma casa, apartamento ou conjunto comercial. 'Com R$ 1.300 eu consigo comprar um pedaço de um prédio maravilhoso alugado à Petrobrás, no Rio.'
Além do acesso direto do pequeno investidor a grandes empreendimentos, os FIIs dão a tranqüilidade do lastro imobiliário, não exigem envolvimento com a administração do bem nem envolvem riscos de vacância ou inadimplência.O consultor diz que sua primeira conquista nessa área foi conseguir que os FIIs entrassem na Bolsa. 'Agora estou batalhando para que os bancos comerciais entrem nesse nicho. Não me preocupa a concorrência. É a parceria que conta", completa.
Já o consultor de finanças pessoais Gustavo Cerbasi alerta aos interessados para a necessidade de se informar bem. 'É preciso ter os mesmos cuidados que se tem com qualquer outro tipo de aplicação. Em relação à compra direta de imóveis, os FIIs têm a vantagem de dar ao interessado o serviço pronto. Você não precisa garimpar o mercado fisicamente, não vai precisar sentar horas com um corretor ou ir a lançamentos de imóveis.'
Autor de Dinheiro - Os segredos de quem tem e de outras duas obras com dicas para enriquecer, Cerbasi entende que o FII pode ser vantajoso para quem não tem muito dinheiro nem tempo. 'Ele tem um desempenho próximo da renda fixa, mas com a vantagem da isenção tributária. Pode ser um bom começo para quem quer entrar no mercado ou mesmo para quem busca variedade de aplicações.
Valor de mercado cresce
O mercado à vista respondeu por 92,6% do volume financeiro total em maio, seguido pelo mercado de opções, com 4,1%, e pelo a termo, com 3,3%. O Ibovespa encerrou maio com alta de 6,9%, a 72.592 pontos. As ações que atingiram as maiores valorizações foram Nossa Caixa ON (+57,09%), Gerdau Metalúrgica PN (+28,42%), B2W Varejo ON (+27,82%), Gerdau PN (+25,12%), e Eletrobras ON (+19,89%).
No mesmo período, as maiores baixas foram registradas pelas ações Telemig Participações PN (-14,77%), Cosan ON (-14,38%), TIM Participações PN (-12,01%), TIM Participações ON (-11,90%), e Embraer ON (-11,87%). Além do Ibovespa outros oito índices encerraram o mês em alta: IBrX-50 (+7,4% a 10.914 pontos), IBrX-100 (+7,2% a 24.080 pontos), ISE (+10,0% a 2.258 pontos), IEE (+6,3% a 19.174 pontos), INDX (+8,3% a 12.008 pontos), IVBX-2 (+5,3% a 5.937 pontos), IGC (+5,8% a 7.233 pontos), e ITAG (+7,8% a 9.117 pontos).
O ITEL encerrou o mês de maio em baixa (-0,3% a 1.345 pontos).
giro. O volume médio diário negociado na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa) em maio atingiu recorde de R$ 7,03 bilhões, ante R$ 6,23 bilhões em abril, uma alta de 12,84%. Também bateram recorde o número total e a média diária de negócios, com 5,20 milhões e 260.256, enquanto no período anterior esses números foram de 4,33 milhões e 206.130, respectivamente. O volume total movimentado pela Bovespa em maio foi de R$ 140,70 bilhões, ante R$ 130,90 bilhões no mês anterior, uma alta de 7,48%, segundo boletim mensal divulgado há pouco pela Bolsa.
As ações que registraram maior giro financeiro foram Petrobras PN, com R$ 23,27 bilhões; Vale PNA, com R$ 12,79 bilhões; Petrobras ON, com R$ 4,76 bilhões; Bradesco PN, com R$ 4,37 bilhões; e Usiminas PNA, com R$ 4,33 bilhões.
O fluxo de recursos dos investidores estrangeiros para o mercado de ações brasileiro em 2008, até 30 de maio, está positivo em R$ 8,296 bilhões, resultado de R$ 7,538 bilhões em aquisições realizadas pelos estrangeiros nas ofertas públicas de ações e do saldo positivo da negociação direta na Bovespa, de R$ 758,258 milhões.
A participação dos estrangeiros nas ofertas públicas de ações, incluindo IPOs, representa 52,3% do total de R$ 14,422 bilhões das operações realizadas com anúncios de encerramento publicados até 03 de junho de 2008.
Ingresso de dólar no País cai 97,8%
O fluxo cambial é composto pela movimentação de dólares que ocorre no mercado financeiro e no comércio exterior. No mês passado, a saída de investidores que aplicam em títulos da dívida e Bolsa de Valores aumentou fortemente e, ao mesmo tempo, o ingresso gerado pelas exportações caiu.
Em maio, investidores retiraram US$ 2,774 bilhões de aplicações feitas no Brasil, valor 62,7% maior que o registrado em abril. O diretor da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, diz que essa saída ocorreu em meio à baixa procura por títulos públicos no mês passado. "Parece que o estrangeiro ficou da rolagem dos papéis da dívida. A nova tributação do IOF certamente afetou esse resultado", diz Póvoa.
A alíquota do IOF de 1,5% para estrangeiros foi anunciada em março como uma das medidas para reduzir a valorização do real. Após a medida, o fluxo financeiro deixou de apresentar resultados positivos e passou a registrar déficits seguidos.
comércio exterior. A saída de dólares no segmento financeiro foi compensada pelo resultado do comércio exterior, que trouxe US$ 2,922 bilhões no mês passado. O valor, no entanto, é 65,3% menor que o registrado em abril.
Póvoa acredita que o comércio exterior deve apresentar resultados melhores nos próximos meses com o embarque da safra de grãos e a maior demanda do segundo semestre. Além disso, o fluxo financeiro pode apresentar alguma recuperação com o aumento do juro básico da economia. "Dependendo de quanto o BC subir a Selic, o aumento do IOF pode ser anulado", explica.
Os dados do BC mostraram, ainda, que o BC adquiriu cerca de US$ 2,5 bilhões no mercado cambial no mês passado. O valor foi absorvido pela autoridade monetária em meio à diminuição da posição comprada dos bancos no mercado de dólares.
Dispara uso do home broker após o grau de investimento
O número de negócios diários de operações no home broker também subiu, para 167 mil por dia. O volume diário foi a R$ 1,8 bilhão, 39% acima do registrado em abril deste ano. O número total de negócios em maio, de 3,34 bilhões, foi exatamente o dobro da média mensal de 2007.
Também subiu a importância dos negócios via home broker no volume total da bolsa de São Paulo. Os negócios eletrônicos domésticos passaram a responder por 14% do giro do pregão, que somou R$ 140 bilhões em maio, e quase um terço do número de negócios. O crescimento do home broker foi puxado pelo avanço no número de pessoas físicas operando na bolsa, que ultrapassou 486 mil no mês de maio.
As ações mais negociadas em todo pregão da Bovespa em maio foram, pela ordem, Petrobras PN, Vale PNA, Petrobras ON, Bradesco PN e Usiminas PNA.
Para Hélio Pio, gerente comercial da Ágora, maior home broker da Bovespa, o principal fator para justificar todo esse crescimento em maio foi a conquista da primeira nota de grau de investimento pelo país conferido pela Standard & Poor's, no dia 30 de abril. "Isso serviu como uma sinalização para o investidor, principalmente aos novos, de que a bolsa é um investimento mais seguro do que se poderia pensar antes", diz Pio.
Muitas pessoas que não aplicavam em ações viram novamente o mercado em ascensão e pensaram que já era mais do que a hora de diversificar os investimentos em bolsa, avalia o gerente da Ágora, onde chegam, em média, 2,5 mil novos clientes por mês neste ano. Ele comenta que os investidores antigos também têm elevado os volumes aplicados no home broker da Bovespa.
No ano passado, alguns sistemas de corretoras e até da própria Bovespa tiveram alguns colapsos diante do avanço acelerado do número de investidores e de negócios via home broker. Nos últimos meses, porém, não se perceberam mais crises de tamanha intensidade no home broker. Na Ágora, Pio garante que os investimentos em infra-estrutura tecnológica no ano passado tornaram o sistema mais seguro. "Hoje operamos a um quarto da nossa capacidade", afirma o executivo.
Petrobras puxa o ganho e também a perda do Ibovespa
Durante o ano, além da alta do petróleo, o papel foi beneficiado pela dupla elevação do país a grau de investimento de baixo risco - o que provocou um descolamento do Ibovespa em relação às commodities - e um período sem más notícias na economia americana, lembra Ronaldo Patah, da Unibanco Asset Management (UAM). "Entre os dois graus de investimento, o Ibovespa passou de 64 mil pontos para 74 mil, uma alta de 15% em pouco mais de um mês, e boa parte disso foi Petrobras", lembra. Agora, diz, há notícias ruins vindo no setor financeiro americano, as commodities em queda e ainda o risco de alta maior dos juros no Brasil.
Patah mantém a projeção de 80 mil pontos para o Ibovespa no fim deste ano, o que significaria um potencial de alta de 16,5%. "Mas esse ganho já começa a ficar menos atrativo se comparado aos juros, que podem subir para 13% ao ano", lembra. Diante do risco maior do mercado acionário, Patah recomenda setores mais defensivos, como o elétrico e bens de capital - como Romi, Ioschpe -, além de commodities, caso de VCP e a própria Vale, mais atrativa depois das quedas.
O que estava carregando o mercado brasileiro eram as commodities, mas especialmente a Petrobras, turbinada pelas novas descobertas e pelo preço do petróleo, lembra Lika Takahashi, analista chefe da Fator Corretora. "Mas os sinais de que o dólar não vai mais continuar se enfraquecendo no exterior elimina um dos fatores de alta das commodities e o mercado têm de realinhar suas expectativas", explica Lika. E isso fez os preços das commodities, em especial o petróleo, recuarem.
Ironicamente, essa queda é positiva para a economia mundial, pois reduz a pressão inflacionária, especialmente nos países emergentes asiáticos, onde alimentos e petróleo chegam a representar 30% no custo de vida. Lika diz que a queda da Bovespa mostra que a tese do descolamento dos emergentes da crise voltou a se mostrar discutível. "Não somos tão invencíveis assim."
Ela lembra que ainda há fatores de risco adiante, como o ambiente de crédito nos Estados Unidos, que volta a ficar preocupante pelos problemas no mercado financeiro. "Essa transmissão da crise dos bancos para a economia real está só começando", diz. E há ainda os fatores internos, como a alta dos juros e sinais de inadimplência crescendo em alguns setores. "Nessa incerteza, o Ibovespa pode ficar variando entre 68 mil a 75 mil pontos por um bom tempo" diz. Lika acha que há oportunidades na bolsa, mas na segunda ou terceira linha. "Eu ficaria menos concentrada em Vale e Petrobras." Entre as barganhas, ela cita Weg, as concessionárias de energia, Localiza e Eternit. "São setores mais defensivos, já que o momento é de mais cautela".
quarta-feira, 4 de junho de 2008
BM&F e Bovespa preparam-se para a internacionalização
Mifano salientou que ainda não há nenhuma operação específica em estudo, mas que uma integração dos mercados na América Latina faz parte da estratégia.
"Com a fusão da Bovespa com a BM&F, nós nos tornamos uma das maiores bolsas do mundo, viramos um player global. Oportunidades (de aquisições) vão ser consideradas, desde que façam sentido estratégico e dêem retorno para os acionistas", acrescentou.
O executivo avaliou ainda que a concessão ao Brasil do selo de investimento seguro pelas agências Standard & Poor's e Fitch terá reflexos positivos para o mercado acionário no Brasil.
Um deles é a retomada das ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no segundo semestre. "É possível que retomemos os níveis de 2006", disse.
No ano passado, o volume captado em ofertas iniciais de ações na Bovespa somaram US$ 30,1 bilhões, segundo dados da Thomson Reuters, um aumento de 296% em relação aos US$ 7,6 bilhões de 2006. No acumulado de 2008 até ontem, o total captado por esse meio era inferior a US$ um bilhão.
Mifano acredita ainda que o volume diário de negócios no mercado doméstico deve continuar crescendo. Desde a elevação da nota soberana brasileira pela S&P, em 30 de abril, o volume médio da Bovespa já subiu 21,5%.
O petróleo e o "efeito Starbucks"
Com certeza, ninguém está falando abertamente de recessão global. Joachim Fels, economista do Morgan Stanley, diz não saber ao certo quanto de risco os altos preços do petróleo criam para o crescimento global já que os importadores simplesmente redistribuem a renda para os exportadores de petróleo.
E se os ricos países ocidentais passam necessidades, eles estão em boa posição para suportar a tormenta. São os países em desenvolvimento mais pobres e dependentes do óleo os mais prejudicados pelo alto custo da gasolina.
"Em muitas economias rurais, há os agricultores que usam seus caminhões para transportar os produtos que cultivam para vender no mercado", disse Lawrence Eagles, diretor da divisão de setor e mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia. "Mas se isso não for mais rentável por causa do custo da gasolina, vão simplesmente voltar para a agricultura de subsistência, o que seria uma evolução importante", disse Eagles.
Em economias como as dos Estados Unidos e da Europa ocidental, o resultado tem sido o que os analistas chamam de "efeito Starbucks", no qual os consumidores pressionados pelos custos sempre altos do combustível pedem menos xícaras de cafés que custam US$ 4 e mais aquelas que tem o mesmo sabor e custam US$ 1 ou US$ 2.
A Starbucks, de fato, vê pela primeira vez na sua história menos fregueses neste ano do que no ano anterior, disse o presidente da companhia na semana passada.
Os altos preços do petróleo também repercutem na confiança dos consumidores, que nos EUA está no menor nível dos últimos 28 anos, enquanto que na Alemanha, França e Reino Unido os níveis de sentimento dos consumidores também apresentam problemas.
A desaceleração nos países mais ricos exerce impacto imediato nos países em desenvolvimento quando o comércio global sofre e coloca dezenas de milhares de empregos em risco. A ONU, num relatório lançado em maio, advertiu que "a economia mundial pode praticamente chegar a um impasse" se os esforços dos EUA para reativar sua economia - via taxas de juros ultra baixas e um grande pacote de estímulo - não surtirem efeito. Em meio aos preços elevados de energia, a ONU informou que vê o crescimento econômico mundial caindo "abruptamente para 1,8% este ano, de 3,8% em 2007".
Gazeta Mercantil
Investidores aguardam fim da crise
Ele ressaltou que esse interesse é uma questão de tempo. "Já há um apetite enorme dos investidores estrangeiros. Essa conjuntura nova pode levar, no momento em que a crise internacional se amainar, os investidores a se ‘estapearem’ para investir no Brasil, porque nós temos condições extraordinárias", disse o ministro.
Segundo ele, as empresas brasileiras têm apresentado altos índices de lucro, o que pode ser observado em poucos países. "Não é à toa que fomos o quinto maior mercado de capitais no ano passado. Isso é absolutamente assombroso se olharmos em termos de retrospectiva nos últimos 15 anos, porque ninguém achava que isso ia acontecer", observou.
Política cambial
Bernardo, no entanto, admitiu que, se houver condições de fazer ajustes pontuais, isso pode ser feito. "Mas isso significa medidas consistentes, que se saiba o efeito que vai causar, o custo, o que significa, alguém tem que sugerir. Eu não tenho nenhuma idéia. O que não queremos, não vamos e não temos condição de mudar é a política de câmbio flutuante", acrescentou o ministro.
Bernardo reconheceu que a valorização do real é um problema, mas disse que, por outro lado, muitas empresas tiveram seus produtos que são exportados valorizados e estão ganhando em competitividade. "Nós temos adotado medidas para ajudar a melhorar essa competitividade. É isso que temos que fazer, investir em melhorar o ambiente de negócios no país, em dar condições de previsibilidade para as empresas se planejarem, reduzir carga tributária, burocracia", relatou o ministro .
Gazeta Mercanti
Previ vende participação na Inepar
Nova diretoria
Esta semana tomaram posse os novos dirigentes da Previ. Na diretoria de participações, entrou Joílson Rodrigues Ferreira, enquanto Fábio de Oliveira Moser assumiu a diretoria de investimentos. José Ricardo Sasseron foi reeleito pelo voto direto dos participantes para a diretoria de seguridade. As indicações para as diretorias de participações e investimentos são feitas pelo Banco do Brasil, que é empresa patrocinadora do fundo.
Gazeta Mercantil
Mercado de acesso tem novas candidatas
Por Ana Paula Ragazzi, de São Paulo
Pela segunda vez neste ano, a Bovespa promove um encontro fechado entre candidatas ao segmento e representantes de bancos, escritórios de advocacia, auditorias e consultorias que têm interesse em assessorar companhias de menor porte que desejam fazer ofertas de ações.
A primeira a se apresentar será a gaúcha Teikon, que atua na manufatura de produtos eletrônicos, nas áreas de automação comercial e industrial, informática, telecomunicação, entre outros.
Ricardo Felizzola, presidente do conselho de administração da Teikon, afirma que a captação dará continuidade ao plano de expansão. "Nossos negócios, nos últimos anos, têm crescido a uma taxa elevada, de 50% ao ano", diz.
Ele identifica elevada demanda pelas atividades da empresa diante, por exemplo, dos incentivos para a venda de notebooks e do apelo para a compra de TVs de tela plana.
A Teikon ainda não fechou um valor para a captação, mas Felizzola avalia que ela estará dentro da faixa que acredita estar sinalizada para o Bovespa Mais, de R$ 20 milhões a R$ 100 milhões. "Se houver condições favoráveis no mercado, a intenção é colocar a operação na rua já neste ano", diz o executivo. No ano passado, a Teikon registrou faturamento bruto de R$ 115 milhões e, há três anos, busca um alinhamento com o mercado de capitais, adotando práticas de governança.
A segunda apresentação será a da Galena, de Campinas (SP), distribuidora de matérias-primas para os setores farmacêutico e alimentício. O presidente da empresa, Ranan Kartz , afirma que este ano a Galena começou a intensificar esforços para consolidar atuação no segmento de dermocosméticos - produtos que têm ação intermediária entre medicamentos e cosméticos.
A empresa espera que em cinco anos poderá consolidar a operação e ter fatia de 10% neste nicho do mercado. Em 2007, o faturamento da Galena foi de R$ 92 milhões e a expectativa é que, em 2008, alcance R$ 136 milhões.
"Tínhamos a opção de esperar uns dois ou três anos e tentar o Novo Mercado, mas acreditamos que o Bovespa Mais será uma forma de aproximação maior com a cultura dos investidores", diz. "Além disso, também possibilitará a colocação de um valor de mercado para a empresa".
Apesar de analisar de perto a possibilidade de listagem, a Galena não tem estimativas para valor ou prazo da operação. Também não descarta a associação com um fundo de participações, de olho nos ganhos em termos de governança.
Essa opção também não está sendo desconsiderada pela BRQ Informática, de São Paulo, especializada em serviços de tecnologia da informação, e que encerra o evento na bolsa. Benjamin Quadros, presidente da BRQ, afirma que a companhia se prepara para uma segundo rodada de investimentos, depois dos realizados com o aporte de R$ 50 milhões do BNDES, em outubro do ano passado. Segundo ele, nos últimos anos a BRQ comprou seis empresas e no momento negocia possíveis aquisições com outras 20.
Ele não fala em valores, mas acredita que a operação no Bovespa Mais pode sair até o início de 2009. Ano passado, o faturamento da BRQ atingiu R$ 150 milhões, mantendo um crescimento médio superior a 40% ao ano desde a sua fundação, há 15 anos. A empresa tem como meta faturar R$ 200 milhões neste ano.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Crédito de US$ 50 bi para InBev comprar Budweiser é incerto
Da agência Reuters
O crédito para financiar a compra da cervejaria americana Anheuser-Bush pela InBev é incerto, uma vez que as atuais condições restritas do mercado de crédito podem não comportar pacote de financiamento desse porte, afirmaram bancos à Reuters Loan Pricing Corp.
O jornal Sunday Telegraph publicou que a InBev estava perto de conseguir pacote de financiamento de US$ 50 bilhões que lhe permitiria lançar oferta de compra da Anheuser-Bush, fabricante da cerveja americana Budweiser. "Se for desse tamanho, é grande pedido ao mercado, com esse risco enorme", disse importante representante de banco, que pediu para não ser identificado.
O jornal publicou que a companhia manteve contatos com JP Morgan, Santander, BNP Paribas e Merrill Lynch. Nenhum dos quatro bancos estava imediatamente disponível para comentar o assunto.
Ações chinesas estão muito baratas
Da Bloomberg News
As ações chinesas caíram tanto este ano que a Aluminum Corp. of China Ltd. (Chalco) está oferecendo aos investidores uma expansão dos lucros correspondente ao dobro da da Alcoa Inc. a um preço inferior. A queda de 32% do Índice CSI 300 da China, a maior retração dentre as 20 maiores bolsas do mundo, limitou a diferença entre a relação preço-lucro e a do Índice Standard & Poor's 500 a 13%, comparativamente aos 139% vigentes no final do ano passado. As ações da China continental negociadas em Hong Kong, onde não existem limitações aos investimentos externos, estão 23 % mais baratas que os papéis norte-americanos, segundo mostram dados reunidos pela Bloomberg.
O CSI 300 caiu depois que sua pontuação se multiplicou por cinco, desencadeando preocupações de que os preços pudessem estar ultrapassando as perspectivas de lucros, num momento em que a economia chinesa, a de crescimento mais acelerado dentre as principais do mundo, perde impulso de crescimento, a inflação se acelera e a valorização do iuan tira competitividade das exportações.
"A correção das ações chinesas constitui uma boa oportunidade de entrar" no mercado, disse Mark Mobius, 71, que administra cerca de US$ 42 bilhões de ações dos mercados emergentes do presidente executivo da Templeton Asset Management Ltd. de Cingapura. "As avaliações dessas empresas estão muito atraentes. Não há dúvida de que, mesmo se rebaixarmos a perspectiva de crescimento da China em alguns pontos, ela será maior que a dos Estados Unidos."
O Índice CSI 300 disparou 478 % nos últimos dois anos, num momento em que o governo chinês adotou medidas para tornar as ações de estatais negociáveis em bolsa e em que a economia do país cresceu mais de 10 % em todos os trimestres.
Gestora compra ações da Bovespa e da BM&F
A FMR LCC divulgou que os fundos adquiriram um total de 69.444.800 acoes ordinarias, correspondendo a 6,87% do total de acoes ordinarias emitidas pela Bolsa de Mercadorias & Futuros-BM&F S.A.
Hypermarcas inicia plano de expansão com chegada da GP
Por Lílian Cunha e Ana Paula Ragazzi, de São Paulo
Pouco mais de um mês depois de sua estréia na Bovespa, a fabricante de bens de consumo Hypermarcas anunciou ontem o primeiro passo de seu plano de expansão. Por meio de troca de ações, ela comprou o Laboratório Americano de Farmacoterapia (Farmasa). Como resultado da operação, os atuais acionistas do laboratório, que incluem a GP Investimentos, passarão a ser donos de metade da empresa de consumo, com assentos no conselho de administração.
A Hypermarcas pagará (em ações) o equivalente a R$ 873,4 milhões no negócio. O valor atribuído à Farmasa nessa transação é quase o dobro do considerado na operação com a GP Investimentos. Em novembro de 2007, o fundo de participações adquiriu metade do laboratório por R$ 241,6 milhões.
A Hypermarcas emitirá 39,7 milhões de ações ordinárias (ON, com voto) para concretizar essa operação - quantidade próxima aos 41 milhões de papéis vendidos na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Metade dessas novas ações será entregue aos fundos de investimento administrados indiretamente pela GP.
Os R$ 700 milhões captados no IPO continuarão no caixa da Hypermarcas e darão continuidade ao projeto de expansão da companhia, que deverá focar as áreas de saúde e higiene pessoal.
As ações ordinárias da Hypermarcas subiram 6% ontem, para R$ 23,31. Aparentemente, os rumores sobre a transação já estavam no mercado desde quarta-feira (28), quando os papéis saíram do patamar dos R$ 17,00, valor fixado no IPO, e começaram a subir e ganhar mais volume. Em sete dias, a ação tem alta de 32%.
Os Brazilian Depositary Recipts (BDRs) da GP avançaram 6,30% no pregão de ontem.
André De Vivo, presidente da Farmasa, afirma que o acordo é apenas "o primeiro passo para outros negócios maiores".
De Vivo, que é membro da família Samaja, fundadora do Farmasa, não revela que "novos negócios" podem sair a partir do acordo, mas acredita que mais fusões poderão acontecer.
De acordo com fontes, a parceria que a transação firma entre a Hypermarcas e a GP, conhecida no mercado pela sua habilidade na condução de negócios com visão de longo prazo, também foi comemorada pela companhia.
De Vivo conta que estava em negociação com a Hypermarcas desde que esta fechou a compra do laboratório DM, em junho passado. "Mas com a abertura de capital da empresa, as conversas esfriaram um pouco. Voltaram a ganhar força em novembro do ano passado, quando o GP passou a controlar metade da Farmasa", conta o executivo. O negócio teria sido desenhado nos últimos 40 dias.
"Juntas, Farmasa e Hypermarcas vão ganhar muita musculatura", diz o executivo. Um negócio complementa o outro, segundo ele. Enquanto a DM se concentrava em medicamentos sem receita, a Farmasa tem força em remédios vendidos com prescrição e também na linha hospitalar.
Estão no portfólio da Farmasa medicamentos conhecidos como o Magnopyrol e Rinossoro, entre os isentos de prescrição médica, e os antiinflamatórios Maxsulid e Mioflex entre os que precisam. A Hypermarcas conta com Benegrip, Apracur, Melhoral, Doril, Engov, Maracugina, Atroveran, Merthiolate, Gelol e Estomazil, entre outros.
Na semana passada, segundo informações do mercado, o Farmasa fechou a compra de outro laboratório, o Zurita, por valor ainda em sigilo. O Laboratório Zurita é o fabricante do Acnase, um dos medicamento de combate a cravos e espinhas mais conhecidos do mercado.
O faturamento bruto da divisão de medicamentos da Hypermarcas é de R$ 450 milhões, e a empresa estima um incremento em torno de R$ 300 milhões após operação com a Farmasa.
A transação também complementa os canais de vendas de ambas. A Farmasa tem como tradição iniciativas nos pontos-de-venda e também via propagandistas, que visitam mais de 100 mil médicos por mês. Já a Hypermarcas enfatiza a ação na mídia.
O laboratório Farmasa existe desde a década de 50 e passou por uma grande reformulação nos últimos anos, até interromper um processo de abertura de capital em novembro passado para se associar à GP.
Criada em 2002, a Hypermarcas realizou a oferta pública de ações em abril passado e encontrou condições difíceis de mercado e investidores cético. As ações saíram a R$ 17, valor inferior à faixa estimada, que ia de R$ 20,50 a $ 24,50. Além de medicamentos, a empresa também possui as marcas Assolan, Zero-Cal, Adocyl, Etti Monange, entre outros.
Valor Econômico
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Ações de siderúrgicas já ultrapassam o preço justo
Subiu muito, mas não quer dizer que não possa subir mais...
"As empresas que têm commodities como matéria-prima têm sido, nas últimas quatro semanas, as principais alavancas do mercado acionário de países emergentes, inclusive do Brasil. Na bolsa paulista, dividem a cena as petrolíferas e as siderúrgicas, que já são negociadas no limite de preço considerado justo. O principal apelo é que essas empresas conseguem repassar alta de preços de matéria-prima para as indústrias clientes, mantendo perspectiva favorável dos negócios.
"Apesar do preço do carvão e do minério de ferro estar subindo rapidamente, as empresas têm sido bem-sucedidas em repassá-lo na venda, com tendência de aumento das margens de lucro neste trimestre", avalia Leonardo Alves, analista de siderurgia da Link Corretora. "O mercado interno está ainda mais demandante do que imaginávamos, então vai absorver a alta de preços das matérias-primas."
A Gerdau já tinha atingido o preço justo na avaliação da corretora Brascan, mas a revisão do cenário e a reação da empresa diante de estimativas negativas para a última aquisição nos EUA fizeram que o valor alvo para ação PN fosse revisto para R$ 93,15 e da Metalúrgica Gerdau PN para R$ 127,42, alta de 15,2% e 16,9% respectivamente. A Prósper Corretora não recomenda compra a esses valores.
Segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia, a produção de aço bruto em abril alcançou 2,9 milhões de toneladas, com alta de 7,1% sobre abril de 2007, enquanto a produção de laminados chegou a 2,2 milhões de toneladas, alta de 5%. Enquanto não houver desaquecimento de consumo baseado no crédito, que proporciona a compra de bens duráveis, a venda de aço não vai diminuir, dizem os analistas.
O preço justo da Link para CSN (ON) era de R$ 83,00 e R$ 80 para Usiminas (PNA), valores ultrapassados no pregão. Na sexta-feira, a primeira encerrou a R$ 108,93 e a segunda a R$ 109,04. "As siderúrgicas também estão sob pressão inflacionária, mas a demanda dos clientes da construção civil, máquinas e setor automotivo assegura as vendas", afirma Rodrigo Ferraz, analista da Brascan Corretora.
A baiana Ferbasa se recupera do impacto do preço do níquel em maio passado, com a maior valorização do mês, cotada a R$ 153,76. Enquanto a Aços Villares deve ser favorecida pela demanda automobilística e entrada da Gerdau na administração, o cenário é indefinido para Usiminas. "O papel foi penalizado no início do ano pela falta de investimento e agora o mercado observa como a empresa vai reagir ao aumento de custo do minério e integrar a recém-adquirida JMendes", avalia Alves.
Para Ativa Corretora, a CSN deve ter um segundo trimestre forte, já que apresentou os maiores reajustes de preço do setor. A agência de classificação de risco Standard & Poor''s elevou o rating da empresa, com a melhora dos indicadores de proteção do fluxo de caixa.
Apesar do otimismo, Rodrigo Ferraz aponta que os preços das ações do setor já estão altos. "Não está num momento de compra porque a maioria está no patamar limite de preço em relação ao que podem oferecer", diz."
Gazeta Mercantil
Com forte demanda, Braskem e Fibra captam US$ 650 milhões
A emissão de bônus da petroquímica Braskem, liderada pelos bancos Citibank, Calyon e ABN Amro Real, saiu a 99,100% do valor de face, com um cupom de 7,25% ao ano, e um retorno de 7,375%. A operação foi considerada um sucesso pelo vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Braskem, Carlos Fadigas. "Nós imaginávamos uma demanda forte pelos papéis, mas ficou bem acima da expectativa, com US$ 1,6 bilhão", diz. "Esta foi nossa maior captação externa e também a mais barata."
Até então, a maior emissão externa da Braskem havia sido feita em setembro de 2006, quando foram captados US$ 275 milhões com um retorno ao investidor de 8% ao ano. O prêmio de risco da nova emissão da petroquímica - que ainda não é grau de investimento - ficou a 328 pontos-base acima dos treasuries americanos de igual prazo. Só para comparação, a Gerdau, já com grau de investimento, pagou em sua última emissão externa um prêmio de risco de 309 pontos-base. "A diferença é pequena e, em parte, acredito que o mercado esteja antecipando um provável upgrade da Braskem", diz Fadigas. A petroquímica está a um degrau do investment grade nas três agências - Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s. No caso da Fitch, o rating da Braskem está com perspectiva positiva e pode ser elevado.
AlongamentoOs US$ 500 milhões captados serão usados para alongar parte da dívida contraída no ano passado para a aquisição da Ipiranga. O empréstimo-ponte feito naquela ocasião, de US$ 1,25 bilhão, tem um prazo de dois anos e agora está sendo alongado com a nova captação, de dez anos. Os outros US$ 750 milhões necessários para concluir o alongamento serão conseguidos por meio de uma operação de pré-pagamento de exportações em duas tranches, de cinco e sete anos. "Esperamos fechar a operação em até três meses", afirma Fadigas.
Já o Banco Fibra voltou ao mercado e captou US$ 150 milhões por um prazo de três anos. Os papéis foram vendidos a 99,33% do valor de face, com 7% de cupom. O retorno ao investidor ficou em 7,25% ao ano. A idéia inicial era captar US$ 100 milhões, mas a forte demanda fez o banco elevar o volume. Participaram da operação os bancos Santander, Standard Bank e ABN Amro Real. A última captação do Fibra havia sido feita em abril, também com prazo de três anos. Na ocasião, o retorno ao investidor foi de 7% ao ano e foram captados US$ 150 milhões.
Petrobras distribui juros e dividendos
E vamos comprar mais um pouco de Petrobras, como mandam os livros, reinvestir os dividendos é importante.
Só que para seguir a risca, vamos nós lá no fracionário. No fim, alegria mesmo, é para sua corretora de valores, que vai morder mais uma corretagem.
"Angelo Pavini
A Petrobras paga amanhã, dia 3, juros sobre capital próprio e dividendos para os acionistas que tinham ações da empresa em 4 de abril, data da assembléia que aprovou o crédito. No total, a estatal vai pagar cerca de R$ 1,8 bilhão. Cada ação preferencial (PN, sem voto) ou ordinária (ON, com voto) receberá R$ 0,2090. Deste total, R$ 0,05 referem-se a dividendos, R$ 0,15 a juros e R$ 0,009 à atualização pela taxa Selic. Haverá ainda imposto de renda de 15% sobre os juros e de 22,5% sobre a correção.
Com base no fechamento de sexta-feira, de R$ 57,40 para o papel ON, e sem impostos, o pagamento equivale a retorno de 0,36%. Sobre o PN, que fechou a R$ 49,00, 0,43%. São considerados percentuais baixos pelo mercado. Segundo Fabio Anderaos, da Itaú Corretora, a média de retorno em dividendos projetado no ano das empresas do Ibovespa está em 4%, enquanto o da Petrobras está 2%. Já o potencial de alta do papel PN é maior, 24,5%, considerado o preço justo de R$ 61,10 da corretora."
Valor Econômico
Ajuste milionário no balanço
Vida de analista fundamentalista não é fácil mesmo. Quantos investidores conhecem IFRS... Outros vão ganhar com isto, em particular as firmas de auditoria, como Price Waterhouse, Deloitte, Erns & Youg e outras.
"Por Graziella Valenti e Silvia Fregoni, de São Paulo
Nada menos do que uma redução de R$ 830 milhões no lucro líquido e no patrimônio. Esse é o tamanho do ajuste que a Vale do Rio Doce sofreria no primeiro trimestre caso a nova legislação contábil brasileira estivesse vigente desde já. Com isso, a empresa teria uma redução substancial sobre a lucratividade do período, que foi de R$ 2,2 bilhões.
Nem todos os investidores estão atentos, mas, depois de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) muito insistir, as companhias começaram a fornecer nas notas explicativas do balanço a estimativa do impacto das novas regras de contabilidade. No caso da mineradora, segundo a nota, a perda decorreria de efeitos da variação cambial sobre os investimentos no exterior.
Porém, os números fornecidos ainda estão encobertos por muitas dúvidas. Há mais perguntas do que respostas em torno do processo de adaptação dos balanços à lei 11.638 - aprovada no apagar das luzes de 2007, o que deixou o prazo para regulamentação apertado. A despeito de toda a confusão existente já na homologação da legislação, a CVM tumultuou um pouco mais o ambiente ao pedir que as empresas fizessem alguns ajustes já a partir do primeiro trimestre.
A Vale não é a única ter ajustes de impacto a fazer, e nem todos seriam negativos. No caso da Eletrobrás, haveria alta de R$ 356,7 milhões no lucro e de R$ 260,5 milhões, no patrimônio. A Petrobras elevaria em R$ 388 milhões os ganhos da última linha do balanço e reduziria em R$ 459 milhões o patrimônio. Pode parecer pouco, mas esses números produzem efeito ainda maior na análise de múltiplos - indicador que os analistas utilizam para comparar os preços das ações de empresas brasileiras com o das estrangeiras.
A agência de classificação de risco Standard & Poor's já considera as informações na análise dessas companhias. Porém, Marcelo Costa, diretor da área de classificação de empresas, explicou que boa parte dos dados já estava incorporada às avaliações. "Já pedíamos às empresas o que não divulgavam."
Alex Finn, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC) no Reino Unido, enfatizou a importância de as companhias saberem comunicar bem as mudanças contábeis.
A nova lei contábil brasileira tem como principal finalidade o alinhamento aos padrões internacionais, adotados em mais de 100 países, o IFRS. Pelo cronograma da CVM, em 2010, o país deverá ter convergido integralmente as regras domésticas às estrangeiras. "
Valor Econômico
Cedae equaciona dívidas e se prepara para emitir debêntures e fazer IPO
Empresa de água não sofre com cheque devolvido
Nem vende a prazo
Difícil é ficar sócio do governo.
"A Cedae saiu de uma situação em que perdia R$ 30 milhões por mês para um caixa altamente positivo", disse o governador do Rio, Sérgio Cabral. A companhia é tida pelo governador como um dos principais exemplos do "choque de gestão" de seu governo. Sua dívida com fornecedores e prestadores de serviços era de R$ 180 milhões no início do ano passado. Hoje, segundo Fernando Avelino, diretor administrativo, financeiro e de relações com investidores da Cedae, caiu a R$ 30 milhões.
"O balanço de 2007 vai mostrar que a empresa está totalmente equilibrada", afirmou o diretor, ressaltando que o documento contempla um compromisso para equacionar o déficit atuarial do fundo de pensão dos funcionários da Cedae, a Prece. Ele admitiu que há um atraso na entrega dos demonstrativos financeiros à Comissão de Valores Mobiliários (na sexta-feira, foi entregue o informativo do primeiro trimestre do ano passado), mas disse que essa situação será agora totalmente regularizada.
O processo de reestruturação da Cedae está a cargo da Fundação Getúlio Vargas, com apoio da empresa carioca Iposeira. De acordo com Avelino, uma das primeiras medidas desses processo, no início do ano passado, foi a renegociação das dívidas da companhia, acompanhada por redução de gastos e ações para ampliar a arrecadação da companhia - no ano passado, informou o governador Sérgio Cabral, ela chegou ao nível recorde de US$ 1 bilhão.
Agora, a direção da Cedae trabalha para dar sustentação financeira ao plano de investimentos. Em setembro, a companhia pretende captar R$ 400 milhões em uma operação estruturada, que pode vir a ser uma emissão de debêntures ou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, por exemplo. Os recursos serão aplicados em dez projetos considerados de alta rentabilidade, como a troca de hidrômetros e a expansão da rede de água e esgoto para regiões de alto desenvolvimento do Estado.
Valor Economico
Novas debêntures
Pro investidor pessoa física, só através de fundos de investimento, distribuído por bancos de varejo.
E o investidor do fundo nem vai saber se o fundo que ele comprou tem debentures do Submarino..
"A B2W - Companhia Global de Varejo, dona dos sites de comércio eletrônico Submarino e Americanas.com, prepara sua primeira emissão de debêntures. O dinheiro será usado para financiar investimentos, além de reduzir e alongar seu passivo. O pedido já foi feito à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas o valor ainda não foi revelado. "
Valor Econômico
domingo, 1 de junho de 2008
Qual Buffett serve melhor aos investidores em ações?
Luiz Codorniz
A mídia, ao comentar os conselhos de Warren Buffett, costuma enfatizar a estratégia apregoada por ele de comprar e manter as ações para sempre. Isso se aplica mais às operações de investimentos e aquisições da Berkshire Hathaway. Mas, no que tange aos investimentos de sua carteira pessoal (1% do seu patrimônio), ele age diferente. Ou seja, coexistem duas estratégias de investimento, e isso deixa confusos os investidores.
O que falta considerar é o contexto. Essa estratégia é adequada para a Berkshire, que tem ativos totais de US$ 281 bilhões, dos quais US$ 73 bilhões em ações e US$ 74 bilhões em caixa e renda fixa. Obviamente, esse não é o contexto de 99,9999% dos investidores. Além disso, não faz muito sentido girar uma carteira desse tamanho e concentrada, devido aos impostos sobre ganhos de capital; à dificuldade em encontrar uma alternativa melhor do que aquela que está sendo vendida; e ainda à necessidade de executar as operações sem que o mercado perceba.
Ao longo de sua carreira de mais de cinco décadas, Buffett foi alterando a sua estratégia de forma a adequá-la ao seu contexto em evolução. No inicio, entre 1956 e 1969, ele foi gestor do hedge fund Buffett Partnership Ltd., cujo enfoque é aquele preconizado no livro "Security Analysis", de Ben Graham, e o tipo de investimento são barganhas e "situações especiais". Na década seguinte, ele passou a utilizar como veiculo para seus investimentos a Berkshire Hathaway e incorporou na sua estratégia aspectos qualitativos seguidos por Philip Fisher, autor de "Common Stocks and Uncommon Profits", que enfatiza vantagens competitivas sustentáveis e duradouras.
Na assembléia de acionistas da Berkshire de 2008, perguntaram a Buffett sobre como ele investiria uma pequena quantia, que estratégias ele usaria. Ele disse que provavelmente as oportunidades estariam em "small caps" ou debêntures em situações especiais. Na assembléia de 2006, Buffett comentou: "Três anos atrás você encontrava um bom número de empresas coreanas com sólidos balanços sendo negociadas a um índice P/L de 3". E ele comprou uma cesta (ao redor de 20 empresas) dessas ações coreanas com baixo índice P/L e alavancagem para sua carteira pessoal. Essa estratégia é similar àquela sugerida por Ben Graham há mais de 70 anos, denominada "net-nets", que consiste em comprar uma cesta de ações cujo valor de mercado é inferior ao somatório do caixa mais o capital de giro líquido menos o passivo de longo prazo.
Valor Econômico
Dasa enche o caixa no exterior para fazer novas aquisições
"Tínhamos caixa para seguir nosso crescimento histórico médio de 22% a 30% ao ano, mas vemos oportunidades para fazer mais do que isso", afirma Tharso Bossolani, gerente de relação com investidores da Dasa. "Há um grande crescimento no mercado de saúde, hoje com mais de 40 milhões de brasileiros cobertos por planos privados, e fragmentação dos prestadores de serviços. São pelo menos 19 mil laboratórios no País."
Na emissão externa, a proposta inicial era captar US$ 200 milhões, mas como houve demanda para US$ 1,9 bilhão, a empresa resolveu aumentou o volume e conseguiu vender as notas por taxas mais baratas - ao invés de remunerar com juros de 9,5% ao ano, será de 8,75%, por 10 anos. Para Bossolani, é reflexo do desempenho da empresa mas também à classificação de grau do investimento recebida pelo Brasil da agência Standard&Poor''s e confirmada ontem pela Fitch Ratings. "Ficou mais fácil porque tivemos que ‘vender’ apenas a empresa e não o país, como tínhamos que fazer antes", diz.
Mesmo sendo a líder do mercado brasileiro, a Dasa tem apenas 6% de market share. Em mercados consolidados, como os EUA, as duas maiores empresas (Quest e LabCorp) detêm 45% do serviço. Rumo à consolidação, a Dasa investiu R$ 400 milhões em 2007, volume recorde aplicado na compra de três redes e abertura de 34 unidades de atendimento. A empresa passou de um faturamento de R$ 70 milhões em 1999 para R$ 1,2 bilhão conforme a previsão para este ano e quer mais.
"O time de aquisições é bem ativo na Dasa. Hoje temos entre 20 e 25 empresas com contrato assinado com a gente, em várias fases, desde a não divulgação de informações à due dilligence", afirma Bossolani. Mas a expectativa é fechar três ou quatro compras este ano, como tem sido a média.
Gazeta Mercantil