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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Comida para quem precisa...

Refeições: o desafio de driblar a inflação dos alimentos

Não é somente a crise financeira nos Estados Unidos que preocupa os dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Aos poucos, um outro tema começa a ganhar espaço na agenda de debates do fundo: o aumento nos preços dos alimentos. Pelos cálculos do FMI, os preços dos produtos agrícolas subiram, em média, 48% desde o final de 2006. Só o arroz, por exemplo, registrou alta de 75% em apenas dois meses. Pois essa “inflação alimentícia” impõe um novo desafio para a indústria de alimentos, especialmente para a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc). Ao lidar com contratos de longo prazo, que podem durar até um ano, as companhias ficam vulneráveis a perder margens de rentabilidade. “Como o setor atua com contratos longos, ocorrem discrepâncias de custos, pois os preços dos principais insumos sofrem variações em função da sazonalidade de produção, problemas de clima e abastecimento”, enumera Rogério da Costa Oliveira, vice-presidente da Aberc.

Para não evitar que os lucros do setor encolham, a Aberc busca ampliar o número de clientes. “O aquecimento da economia no país tende a gerar mais empregos. Isso amplia nossa expectativa em relação ao aumento da demanda para a terceirização do serviço de refeições coletivas”, projeta Oliveira. A indústria de refeições coletivas confia na ampliação de algumas cadeias produtivas, como a automotiva. Somente no ano passado, a indústria automobilística teve um aumento médio de 27,8% nas vendas diárias em comparação com 2006. De acordo com os dados da Aberc, o setor tem um potencial de 24 milhões de refeições por dia somente em empresas brasileiras – hoje, este número chega a 8,3 milhões por dia.

Outro desafio da Associação é vender mais para os mesmos clientes. Oliveira explica que, por ser um segmento de lucratividade estreita, os empresários da área necessitam desenvolver constantemente novos mercados. Isso ajuda a ofertar novos produtos e serviços para aqueles clientes já conquistados. Entre os fatores de diferenciação buscados pelo segmento está a maior profissionalização. A Aberc pretende fechar parcerias com escolas técnicas e faculdades para formar novos profissionais. Outro passo é valorizar a marca das associadas por meio da personalização de atendimento junto ao consumidor final – hábito ainda incomum na indústria de refeições coletivas. O segmento deve faturar cerca de R$ 9,5 bilhões neste ano, 12% a mais do que em 2007. (Débora Pisigodinski)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Merrill Lynch: chance de recessão nos EUA chega a 100%

Um novo indicador para avaliar a probabilidade de recessão nos EUA no próximo ano indica que a chance subiu de 75% em outubro para 100% atualmente, segundo o banco de investimentos Merrill Lynch. Em relatório, os economistas David Rosenberg e Claudia Lokody afirmam que o indicador, apresentado pelo banco na semana passada, usa a curva de rendimento (de títulos de dez anos/Libor de três meses) e os spreads corporativos para prever a chance de recessão nos próximos 12 meses.

O resultado é impressionante, ao mostrar que a chance de recessão em 2008 disparou de virtualmente zero em meados do ano, para 75% em outubro e 100% agora. "Olhando para trás na história, o modelo fez um trabalho muito bom ao prever as recessões de 1990/1991 e 2001", afirmam. Em dezembro de 1989, as chances de recessão saltaram para 95% e, em agosto de 1990, a recessão foi oficialmente declarada. Igualmente, em outubro de 2000, o modelo mostrava 100% de chances de recessão e, em setembro de 2001, a economia entrava oficialmente em recessão.

Segundo o relatório, o mercado acionário está precificado em 40% para este cenário de recessão e muitos setores cíclicos, especialmente matérias-primas, tecnologia e indústrias, mal descontaram este cenário, que, no passado, envolveu um declínio de pelo menos 20% nos lucros corporativos. "Se nossa análise macro estiver correta, então os bônus de alta qualidade, os setores defensivos, os papéis com crescimento confiável de dividendos e situação especiais (agricultura, água) serão, na nossa opinião, as áreas em que se deve focar quando a liderança se estreita na esfera geral de investimento", recomendam.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Moody’s lista as empresas brasileiras mais sensíveis à crise dos EUA

Embraer, Gerdau, Braskem, Cosan, JBS-Friboi, Cesp e Independência Alimentos podem ser bastante afetadas pelo mau momento da economia americana

A desaceleração dos Estados Unidos não deixará ilesas as empresas brasileiras que dependem, direta ou indiretamente, do nível de atividade da maior economia do planeta. Um relatório da agência de classificação de risco Moody’s, divulgado nesta quinta-feira (20/12), mostra quais são as companhias brasileiras que podem sofrer mais com a crise americana.

Segundo a Moody’s, sete brasileiras apresentam maior grau de exposição às turbulências americanas: a fabricante de aviões Embraer; a siderúrgica Gerdau; a petroquímica Braskem; a usina de açúcar e álcool Cosan; os frigoríficos JBS-Friboi e Independência Alimentos; e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Os motivos vão desde eventuais impactos sobre o nível de atividade de subsidiárias das companhias brasileiras instaladas em solo americano até a dificuldade de renegociar dívidas com investidores estrangeiros.

A Embraer e a Gerdau seriam afetadas porque suas operações dependem diretamente do nível de demanda dos Estados Unidos. No caso da Embraer, por exemplo, 53% dos pedidos firmes de jatos comerciais das famílias 170, 175, 190 e 195 são da América do Norte. Já a Gerdau possui mais de dez usinas siderúrgicas em operação nos Estados Unidos, sendo a segunda maior produtora de aços longos da América do Norte. No acumulado de janeiro a setembro, a região respondeu por 36% da receita líquida do grupo, à frente do Brasil, que aportou 34%.

Esse cenário, porém, ainda não levou a Moody’s a rever as notas de risco das duas companhias. A perspectiva de ambas é estável, ou seja, a agência não pretende revisá-las no curto prazo. A Embraer é classificada em Baa3, o que significa que a empresa já alcançou o almejado grau de investimento. A Gerdau está em Ba1, um degrau abaixo da nota da Embraer e, portanto, do investment grade.

Impacto indireto

Outras brasileiras seriam afetadas indiretamente pela desaceleração americana. Enquadram-se nessa situação a Braskem e a Cosan. Para a Moody’s, essas companhias possuem uma elevada porcentagem de seu faturamento atrelado a commodities cujos preços podem ser pressionados negativamente, se os Estados Unidos reduzirem sua atividade econômica.

Segundo a agência, isso aconteceria porque os mercados estão cada vez mais interligados. O desaquecimento americano reduziria o nível de importações do país. Como os asiáticos – e sobretudo os chineses – são os principais vendedores de produtos para os Estados Unidos, isso levaria a uma redução da demanda da Ásia por matérias-primas e commodities. Em decorrência, o preço das commodities começaria a cair e as empresas que dependem delas sentiriam o impacto no seu faturamento.

A nota dada pela Moody’s à Braskem, maior petroquímica do país e da América Latina, é Ba1, um ponto abaixo do grau de investimento. A perspectiva de sua nota é estável. Já a Cosan é Ba2, dois degraus abaixo da classificação de papel não-especulativo.

Problemas de liquidez

O último modo pelo qual as brasileiras podem estar vulneráveis às condições econômicas dos Estados Unidos é se a aversão dos investidores ao risco dificultar a renegociação de dívidas.

De acordo com a agência, empresas com pouca experiência no mercado, ou que possuem uma política agressiva de aquisições serão vistas como mais arriscadas, se dependerem muito de seus caixas para irem às compras. A JBS-Friboi, por exemplo, está encerrando um ano ousado de aquisições, cujo ápice foi a compra da americana Swift por 1,4 bilhão de dólares. O acordo transformou a brasileira na maior processadora de carnes do mundo, mas os investidores ainda têm dúvidas sobre a capacidade da empresa de digerir um negócio desse porte. O resultado é traduzido, por exemplo, na desvalorização dos seus papéis na Bolsa de Valores de São Paulo.

A JBS-Friboi é classificada como B1 pela Moody’s, o que a coloca como grau especulativo para os investidores. Sua nota está quatro posições abaixo do grau de investimento. A distância pode, inclusive, aumentar. A Moody’s colocou a nota da empresa em revisão, e a indicação é de que seja rebaixada.

As outras duas brasileiras que também podem sofrer com o fim da liquidez dos mercados mundiais, causada por uma reversão da economia americana, são a Cesp e a Independência Alimentos, segundo a Moody’s. A Cesp tem nota Ba3, três abaixo do grau de investimento. Já a Independência é B3, a seis posições do investment grade. Ambas contam com perspectiva estável para a nota.

Fonte: EXAME