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sábado, 26 de abril de 2008

Oi anuncia compra da Brasil Telecom

A novela da compra da Brasil Telecom pela Oi teve um avanço fundamental nesta sexta-feira (25/4). A Oi finalmente anunciou, em fato relevante, a assinatura do contrato de compra da concorrente. A Oi pagará 5,863 bilhões de reais para assumir o controle da operadora. O valor ficou acima das expectativas. Nas últimas semanas, o mercado cogitava que a venda seria fechada por um total de 4,9 bilhões.

Com a transação, a Oi assumirá o controle indireto da operadora. Isto porque a companhia vai comprar as ações da Brasil Telecom Participações (BrT Part), holding que detém 99,09% do capital votante da operadora, e 65,64% do capital total. A BrT Part, atualmente, é controlada pela Invitel, empresa que reúne os investimentos dos fundos de pensão, Citigroup e do Opportunity na Brasil Telecom. A Oi pagará à Invitel 4,982 bilhões de reais pelas ações da BrT. Outros 881,107 milhões de reais serão desembolsados por ações de outros investidores que também pretendem sair da operadora.

O acordo assinado hoje é um passo importante, mas ainda enfrenta limitações práticas. A legislação brasileira impede, atualmente, que empresas que já atuam em uma das três áreas de concessão de telefonia fixa passem a operar em outra. Essa restrição já barrou aquisições anteriores, como a compra da gaúcha CRT pela Telefônica. Para mudar a lei, é necessário um decreto presidencial. Antes, porém, é preciso um longo processo, que começa com a revisão do Plano Geral de Outorgas (PGO) pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na semana passada, o conselheiro Pedro Jaime Ziller, da Anatel, foi indicado pela agência para relatar a proposta de mudança do PGO. Desde 13 de fevereiro, o órgão analisa eventuais mudanças na legislação, a pedido do Ministério das Comunicações.

Intermediário

Para contornar a restrição legal, a Oi ainda não assumirá o controle da BrT Part. Na prática, as ações da holding que controla da Brasil Telecom foram compradas pelo banco de investimentos Credit Suisse, assessor da Oi na transação. A instituição deterá os papéis em seu próprio nome, até que a legislação mude e a Oi possa assumir, de fato, a concorrente. Pelo acordo, uma vez aprovado o novo marco regulatório do setor, o Credit Suisse transferirá as ações da BrT Part para a Oi.

O contrato estabelece um prazo de 240 dias, a partir desta sexta-feira (25/4), para que a legislação seja alterada e o negócio, concluído. Na ocorrência de certos eventos, o prazo pode ser estendido para 365 dias. Além da nova lei, a operação também precisa ser aprovada pela Anatel. Caso o acordo não seja concluído, a Oi terá de pagar uma multa por rescisão contratual de 490,149 milhões de reais. A liquidação do negócio (pagamento dos valores combinados) deverá ocorrer em até dez dias úteis após a aprovação, pela Anatel, da transferência de controle da BrT Part para a Oi.

Disputas jurídicas

Tão importante para o sucesso do negócio quanto a alteração da lei, é a solução das disputas judiciais envolvendo os sócios da Brasil Telecom. A briga colocou o Citigroup e os fundos de pensão contra o Opportunity. O banco de Daniel Dantas foi afastado da gestão da operadora em 2005. Desde então, o Citi e os fundos instalaram processos na Comissão de Valores Mobiliários e na Justiça para cobrar indenizações do Opportunity por supostos desvios administrativos. A indenização alcançaria 500 milhões de reais. O caso transformou-se numa batalha jurídica com ações espalhadas por vários países.

O fim desses litígios era uma das condições para a fusão da empresa com a Oi. Em paralelo à assinatura do contrato de compra e venda, a Brasil Telecom divulgou um fato relevante anunciando o fim da briga. Para pacificar as partes, a Oi, como parte interessada, concordou em pagar 175,730 milhões de reais à Brasil Telecom. A quantia será dividida em duas parcelas. A primeira, de 80,814 milhões, será paga imediatamente. Os demais 94,916 milhões serão pagos depois que os termos do acordo forem aprovados pelas assembléias extraordinárias de acionistas da BrT Part e da Brasil Telecom S.A - a empresa operacional do grupo. Os 94,916 milhões serão distribuídos entre a operadora (89,017 milhões de reais) e a BrT Part (5,845 milhões).

Segundo o fato relevante, a Oi deverá pagar os valores acordados, mesmo que a compra da BrT não seja consumada.

Supertele nacional

A fusão da Oi com a Brasil Telecom era um dos negócios mais esperados do setor de telecomunicações do país. O negócio é visto com simpatia pelo governo federal, que acalenta há tempos a criação de uma operadora de capital nacional capaz de enfrentar as gigantes do setor, hoje dominado pelos espanhóis da Telefônica e pelos mexicanos da America Movil.

Segundo alguns analistas, a supertele nasceria como a quarta maior operadora de telefonia celular do país, com 20,26 milhões de clientes. Em telefonia fixa, serão 24,60 milhões de linhas ativas. A receita líquida conjunta, baseada nos números do quarto trimestre de 2007, alcançaria 28,6 bilhões de reais e o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), seria superior a 10 bilhões de reais.

Para alguns especialistas, a BrOi, como vem sendo chamada informalmente, também teria uma forte vocação para se internacionalizar, disputando mercados na América do Sul.

Fonte: EXAME

domingo, 30 de março de 2008

A Super Tele = Oi Brasil Telecom (TNLP + BRTP)

BrOi será 4ª empresa nacional de celular

A BrOi, como está sendo chamada a empresa resultante da compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar), seria a quarta operadora nacional de telefonia celular do País, competindo com a Vivo, a TIM e a Claro. "Juntas, as empresas ganham competitividade, o que não é bom para as concorrentes de telefonia móvel", afirmou a analista Luciana Leocádio, da Ativa Corretora. A Oi possui uma licença de celular para São Paulo, onde nenhuma das duas ainda opera.

Com 16,9% de participação, a BrOi seria menor que as suas três concorrentes. Os números divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para fevereiro, no entanto, mostraram que a Oi foi a empresa que mais cresceu no mês passado, com 439 mil adições líquidas, apesar de sua atuação estar restrita a 16 Estados. A BrT registrou um aumento de 217 mil clientes em sua base, ficando à frente da Vivo, líder do mercado celular, que ganhou 203 mil assinantes.

"A expectativa é que, se não houver nenhum grande empecilho, o processo de aquisição leve pelo menos seis meses e seja concluído lá pelo final do ano", afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Segundo ele, o aumento da escala trazido pela aquisição da BrT fortaleceria a atuação da Oi em São Paulo, o que poderia levar a um aumento da competição em internet rápida e, posteriormente, até na telefonia fixa.

"Para o consumidor não existem benefícios aparentes, a não ser um pouco mais de competição na telefonia móvel", afirmou o analista Júlio Puschel, da consultoria The Yankee Group. A BrOi seria líder em banda larga, com 40% do mercado nacional. A Telefônica ficaria em segundo, com 26,6%, e a Net em terceiro (18,4%).

Oi e Brasil Telecom teriam fechado acordo

A disputa societária que emperrava a compra da operadora de telefonia Brasil Telecom (BrT) pela também operadora Oi (ex-Telemar) parece ter chegado a um fim. O Citigroup, Opportunity e fundos de pensão, acionistas em ambas as empresas, alcançaram na quinta-feira à noite um acordo verbal para colocar um fim a todas as pendências judiciais, no Brasil e no exterior, de acordo com fontes diretamente envolvidas na operação.

Os grupos à frente da negociação para a compra da BrT - Andrade Gutierrez, de Sérgio Andrade, e La Fonte, de Carlos Jereissati - haviam fixado o dia 27 deste mês como prazo limite para os demais sócios entrarem em um acerto.

Segundo fonte ligada ao bloco de controle do grupo Oi, a retirada das ações judiciais "destrava o processo e permite prosseguir com a operação de compra". Ele observou que o acerto entre Citi, Opportunity e fundações para retirar as pendências judiciais deverá ser rápido, já que suas documentações estão bastante avançadas.

O fato relevante formalizando a compra deve sair nos próximos dias, podendo ser publicado já na semana que vem, conforme outro interlocutor. Porém, a assinatura do contrato entre as empresas estará condicionada à mudança do Plano Geral de Outorgas (PGO), decreto-lei que hoje proíbe a união entre teles de áreas de concessão diferentes. Essa mudança na regulamentação já está sendo preparada pelo governo.

Conforme uma das fontes, também estão em estágio "bastante avançado" os acertos envolvendo a governança corporativa da nova empresa e a documentação referente à compra da BrT, que deve girar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5,2 bilhões pelo bloco de controle da Oi.

Embora tenha se mostrado satisfeito com o fato de a principal trava à operação ter sido derrubada, esta fonte observou que os compradores só poderão comemorar realmente quando os órgãos reguladores aprovarem a operação e o "cheque for descontado". (AE)