quinta-feira, 13 de março de 2008

Medidas para estimular exportações


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou oficialmente na noite desta quarta-feira (12) as três primeiras medidas para conter a valorização do real e estimular as exportações brasileiras. Segundo ele, o resultado favorável do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com o aquecimento da economia, principalmente no segundo semestre de 2007, elevou as importações e reduziu o superávit comercial.

De acordo com o ministro, a crise do crédito de segunda linha (subprime) nos EUA, que levou a uma desvalorização do dólar, ajudou em uma valorização do real. Por isso, disse o ministro, o governo, preocupado em manter o crescimento sustentado, está dando início a medidas para estimular as exportações, sobretudo de manufaturados. "São as primeiras medidas, de modo que mantenhamos o pólo dinâmico da economia brasileira", disse Mantega.

As três medidas cambiais anunciadas nesta quarta entrarão em vigor na segunda-feira (17). São elas: eliminação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre exportações brasileiras, o que representará uma perda de arrecadação de R$ 2,2 bilhões por ano; fim da cobertura cambial, o que significa que os exportadores poderão deixar todas as suas receitas no exterior (atualmente, há um limite de 30% das receitas); e aplicação de alíquota de 1,5% do IOF sobre aplicações financeiras de estrangeiros em renda fixa e nos títulos do Tesouro Nacional, as chamadas aplicações de portfólio. Mantega explicou que o IOF será cobrado em cada operação. "O dinheiro entrou, ele (investidor estrangeiro) converte em reais e paga 1,5% de IOF sobre todo o capital", explicou o ministro. Mantega destacou que continuarão isentas de IOF aplicações na Bolsa de Valores, em oferta pública inicial de ações (IPO), empréstimos estrangeiros, investimento estrangeiro direto, operações de derivativos de renda variável e operações de derivativo de índice de ações.

Mantega declarou que o forte aumento do investimento estrangeiro em renda fixa e títulos do Tesouro Nacional motivou a criação da alíquota do IOF para essas aplicações. Segundo ele, em janeiro de 2008 esses investidores trouxeram US$ 1,6 bilhão para esses segmentos. Em janeiro de 2007, o montante somava valor menor que 10% dessa cifra. "Quando a CPMF acabou, não colocamos nada em seu lugar. Isso aumentou o rendimento dessas aplicações", explicou Mantega, ao anunciar que a nova alíquota de 1,5% vai reduzir a rentabilidade dessas aplicações, principalmente nas operações de curto prazo. "Isso vai diminuir o diferencial de juros (diferença entre o juro do Brasil e o de outros países) e, com isso, vamos diminuir o fluxo (de dólares) e pressionar menos a cotação do real", comentou. Nos investimentos de longo prazo, segundo o ministro, o custo extra será diluído e, portanto, não deve pesar sobre a rentabilidade.

Mantega disse que as medidas cambiais não devem surtir efeito imediato nas cotações do dólar. Segundo ele, as propostas são apenas iniciais e sinalizam o começo de um trabalho da equipe econômica para incentivar as exportações. "Não vai haver uma reviravolta. Não espero que haja grande mudança no câmbio, mas tudo isso sinaliza uma mudança", afirmou. Mantega afirmou que o governo tem sido pautado por medidas graduais e que as decisões anunciadas nesta quarta reforçam este comportamento. Para ele, as exportações e o câmbio devem repercutir as ações apenas ao longo do tempo.

O ministro informou ainda que as três decisões foram aprovadas em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), que ocorreu por meio de teleconferência, e que as medidas serão publicadas no Diário Oficial desta quinta-feira (13).

terça-feira, 11 de março de 2008

Eletrobrás ON - ELET3

O novo presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, disse nesta segunda-feira que a empresa vaia avaliar a possibilidade de emissão de novas ações a investidores minoritários para elevar o caixa da empresa. Muniz não informou detalhes do plano, mas afirmou que vai apresentar um plano de trabalho que incluirá a questão na próxima reunião do Conselho de Administração, marcada para maio.

"Ainda não sei [sobre quanto do capital seria aberto], estou chegando agora. Já tenho estudos desenvolvidos internamente, mas deveremos passar todosm os estudos com consultorias especializadas, para poder então, levar à frente", afirmou, após cerimônia de posse realizada na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro).

Para Muniz, a Eletrobrás tem condição de liquidez bastante elevada. O que atrapalha a empresa, explicou, são "amarras" que, segundo ele, fazem com que a empresa venha perdendo valor de mercado. Entre essas amarras, está a obrigatoriedade de a Eletrobrás ser submetida à Lei 8.666, que rege as licitações. Por isso, ressaltou a importância da MP 396, que será votada amanhã no Senado, que permite que a Eletrobrás tenha controle em sociedades com empresas privadas.

"Tem essa MP que será votada amanhã que tira uma porção de amarras. Mas o principal é vamos redefinir o papel da gestão da corporação. A questão do papel da holding, da aplicação de mecanismos que dão mais flexibilidade, tipo um regimento próprio de licitação, e não meramente a aplicação da lei 8.666, que limita muito. Então, vamos ter uma empresa renovada com esses instrumentos que esperamos que sejam consolidadas o mais breve possível"

Continua

sexta-feira, 7 de março de 2008

Bradesco vira líder em home broker

Com a compra da corretora Ágora por 830 milhões de reais, o Bradesco passa a liderar o segmento de home broker no Brasil. A instituição contará com 165.000 clientes, que em 2007 movimentaram 58 bilhões de reais.

Inicialmente, as estruturas das corretoras Bradesco e Ágora serão mantidas independentes. “Não vai mudar nada, nem para os funcionários, nem para os clientes”, disse o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, destacando que não haverá canibalização. “As duas corretoras têm mostrados resultados muito bons na conquista de clientes. Não há motivos para eliminar um dos dois modelos”, afirma.

Segundo Cypriano, menos de 10% dos investimentos no Brasil são feitos em ações. Nos Estados Unidos, esse valor ultrapassa os 60%. “Temos, portanto, um mercado com grande potencial de crescimento e essa expansão deve ser acelerada”, diz. A instituição, no entanto, não deve lançar promoções para atrair clientes. "Os valores de corretagem em ambas as corretoras permanecerão os mesmos, e todos os serviços que são oferecidos hoje serão mantidos."

Dos 830 milhões de reais envolvidos no negócio, 500 milhões de reais referem-se à corretora e 330 milhões de reais às ações da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) detidas pela Ágora. As instituições negociavam desde o ano passado e, no acordo firmado nesta quinta-feira (6/5), ficou definido que o pagamento será feito por meio de ações do Bradesco Banco de Investimentos (BBI). Dessa forma, os ex-donos da Ágora passam a deter 8% de participação no BBI e, caso desejem se desfazer das ações, o Bradesco terá prioridade na compra dos papéis.

A operação, de acordo com o diretor de Relações com Investidores do Bradesco, Milton Vargas, não deverá afetar as ações do banco na Bovespa. “Dados os resultados da Ágora, o impacto da compra no balanço deve ser neutro no primeiro ano e gerar ganhos a partir do segundo ano”, afirma.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Friboi Internacional

JBS compra três empresas estrangeiras por mais de US$1 bilhão

A brasileira JBS, maior produtora de carne bovina do mundo, anunciou nesta terça-feira a aquisição das norte-americanas National Beef e Smithfield Beef e da australiana Tasman, por valores que somados superam 1 bilhão de dólares, em dinheiro e ações.

De acordo com comunicados da empresa divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta terça-feira, os negócios fazem parte "da estratégia de globalização da JBS" e representam passos importantes "na conclusão do plano de investimentos para a construção de uma sustentável plataforma de abate, produção e comercialização de carne nos Estados Unidos e na Austrália".

A soma dos três acordos chega a 1,275 bilhão de dólares.

Em cada um dos três comunicados, a empresa afirma que "a aquisição incrementará a capacidade da JBS de atender a demandas específicas de seus clientes e proporcionará economias de escala e eficiências operacionais, gerando valor aos seus acionistas".

A JBS informou que comprará as ações da Smithfield Beef Group por 565 milhões de dólares, da National Beef Packing Company por 560 milhões de dólares, e da Tasman por 150 milhões de dólares.

Os negócios com a Smithfield Beef e com a Tasman serão pagos inteiramente em dinheiro, mas o acerto com a National Beef será feito com 465 milhões de dólares em dinheiro e aproximadamente 95 milhões em ações de emissão da JBS, disse a companhia brasileira.

"Para fazer frente às obrigações financeiras estabelecidas nos contratos que tratam das três aquisições... bem como às despesas incorridas pela companhia nessas operações, será realizada uma subscrição privada de novas ações da JBS no montante de 2,55 bilhões de reais, ao preço de emissão de 7,07 reais por ação", afirmou a JBS em outro comunicado.

A Smithfield Beef possui quatro plantas de abate de bovinos, uma graxaria e uma transportadora nos EUA e processa aproximadamente 680 mil toneladas de carne bovina in natura por ano, segundo a JBS. No período de 12 meses terminado em outubro do ano passado, a empresa teve receita líquida de cerca de 2,8 bilhões de dólares.

A National Beef é dona de três instalações de abate de bovinos, duas de processamento de cortes de carne embalados e customizados, uma para produtos porcionados e uma transportadora, afirmou a empresa brasileira. Em 2007, a empresa norte-americana teve receita líquida de 5,6 bilhões de dólares e processou 3,9 milhões de cabeça de gado.

A Tasman tem a propriedade de seis plantas de abate e uma unidade de confinamento na Austrália. No ano passado, a empresa teve receita líquida de 464,7 milhões de dólares e processou 2,7 milhões de bovinos e animais de pequeno porte, sempre de acordo com informações da JBS.

A companhia brasileira realizará reunião com investidores na quarta-feira para apresentar a operação com mais detalhes.

Fonte: Reuters

Saiba mais em www.jbs.com.br/ri

sábado, 1 de março de 2008

O Novo Milagre Brasileiro

Nas duas últimas semanas, o presidente Lula e ministros da área econômica festejaram os bons resultados da economia brasileira no ano passado, especialmente o elevado estoque de reservas e do fluxo de capitais.

Como bons prestidigitadores, atribuíram tal desempenho às virtudes da política econômica do governo, que seria baseada em inovadores princípios de gestão monetária e fiscal. Nesse tipo de análise, presidente e equipe econômica foram socorridos por economistas governistas e palpiteiros conhecidos.

Em nenhum momento, contudo, eles citam qual ingrediente da política econômica foi responsável pelo abastecimento excepcional de dólares que o país experimenta desde 2003. O argumento mais utilizado é a clarividência de Lula e a determinação do PT, qualidades que, mesmo com generosidade, não consigo identificar no governo.

Economistas da qualificação de Raul Velloso, Eliana Cardoso e Gustavo Franco atribuem o sucesso econômico do país à China, que desde 2003 tornou-se o principal destino das nossas exportações de commodities, especialmente minérios e alimentos.

Em recente artigo no Valor, Eliana demonstra por meio de gráfico como o resultado da balança comercial está associado às vendas de soja e ferro para os chineses e especula sobre a influência da recessão americana nos preços desses produtos e no crescimento da economia em 2008.

Conhecido consultor sugere, brincando, que ao lado da fotografia do presidente Lula, os gabinetes do governo deveriam ostentar fotografia do presidente da China, Hu Jintao, como forma de agradecer patrioticamente o papel estratégico que Pequim tem desempenhado na performance econômica brasileira.

Para a maioria dos especialistas, tão cedo essa situação não se alterará, até porque a China não tem espaço para crescimento de fronteira agrícola e a política de industrialização que depende de minérios é coisa para mais de uma década. O que Lula e ministros deveriam fazer, em vez de ocultarem a verdadeira razão do boom econômico, é tirar partido dele, investindo, por exemplo, corretamente em educação. Consulte o desempenho do Brasil nessa matéria para saber onde foram parar os superávits dos últimos cinco anos.


José Negreiros

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dólar não pára de cair


Empresas começam a reajustar preços de exportações para compensar o real forte

O dólar registrou, nesta quinta-feira (28/2), sua nona queda consecutiva, ao fechar em 1,669 real - o menor valor desde 18 de maio de 1999, quando foi negociado a 1,665 real. A contínua desvalorização da moeda americana está causando calafrios nos exportadores brasileiros. De acordo com o Valor Econômico, algumas empresas já começaram a reajustar os preços para o mercado externo; outras determinaram a suspensão de novos clientes até que a situação se acalme. Além disso, empresas sem experiência consolidada no exterior estão engavetando os planos de exportação por não conseguirem ser competitivas.

Entre outros motivos, o dólar tem sido pressionado pela incerteza sobre o comportamento dos juros americanos. O presidente do banco central americano, Ben Bernanke, deu sinais nesta semana de que a ênfase do Fed será evitar uma recessão nos Estados Unidos, reduzindo os juros. Com isso, os investidores estão migrando para outros países, como o Brasil, em busca de oportunidades mais rentáveis. Outras moedas também estão se valorizando frente ao dólar, como o euro, que bateu seu recorde nesta semana.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Confab PN - CNFB4

  • Uma empresa do grupo DST, que integra a Organização Techint. Fundada em 1942, a Confab conquistou reconhecimento como fabricante de tubos de aço com costura e equipamentos industriais para aplicações diversas;

  • Fundada em 1942, a Confab Industrial S.A. teve uma trajetória sempre marcada pelo pioneirismo e pela busca contínua de melhorias em todas as suas áreas de atuação. Isso lhe garantiu um lugar de destaque entre as empresas brasileiras com presença internacional.







Confab - Resultados para o Ano e 4º Trimestre de 2007
(Todos os valores estão em milhares de reais, exceto o resultado por ação).

Highlights / Dados relevantes

• A receita líquida do ano de 2007 registrou o valor de R$ 1.808.780, sendo 75% superior à receita obtida no mesmo período do ano anterior (R$1.030.767). A receita do quarto trimestre de 2007 foi de R$ 595.711, 67% superior aos R$ 357.514 atingidos em igual período de 2006.

• O resultado líquido do ano de 2007 foi um lucro de R$ 249.114 e, o do quarto trimestre, um lucro de R$ 111.995, superiores aos mesmos períodos de 2006 (R$ 87.824 e R$ 36.017 respectivamente).

• O “EBITDA” atingiu, no ano de 2007, R$ 400.807(22% da receita líquida) e, no trimestre, R$ 154.091 (26% da receita líquida), enquanto que, no mesmo período de 2006, atingiu R$ 167.663 (16% da receita líquida) e R$ 56.367 (16% da receita líquida).

• A carteira de pedidos total em 31/12/2007 atingiu o valor de R$ 1.413.100; na mesma data de 2006, a carteira de pedidos registrou o valor de R$ 1.583.256.

Veja comunicado enviado à imprensa.



Redecard On - RDCD3


A Redecard fará uma oferta pública de ações ordinárias (ON), que soma, inicialmente, 40.692.417 de papéis. A oferta é secundária e o acionista vendedor é o Citibank. A operação poderá ser acrescida de 15% (6.130.860 ações ON) a título de lote suplementar. A oferta inclui ainda a distribuição de GDS ("global depositary shares", recibos de ações negociados no mercado internacional), sendo que cada um desses títulos corresponde a duas ações.

O período de reserva da oferta da Redecard vai de 5 a 11 de março O preço será fixado em 12 de março. Pela cotação de fechamento de ontem (R$ 29,00) a distribuição de ações da Redecard pode chegar a R$ 1,18 bilhão. Considerando o lote suplementar, o montante pode subir para R$ 1,357 bilhão.

Os valores mínimo e máximo para o varejo são de R$ 3 mil e R$ 300 mil, respectivamente. A oferta para esse grupo de investidores representa de 10% a 15% do total, sem considerar o lote suplementar.

As ações da oferta começarão a ser negociadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 14 de março. O código de negociação dos papéis é RDCD3. A liquidação da operação está estimada em 18 de março. (AE)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Natura

Um ano para esquecer

A Natura teve em 2007 seu pior desempenho na década -- e vai anunciar uma série de mudanças para evitar que esses resultados se repitam


O dia 27 de fevereiro é aguardado com ansiedade incomum pelos acionistas da Natura, maior empresa de cosméticos do país. Às 18 horas, após o fechamento da bolsa de valores, a Natura divulgará ao mercado os dados de seu desempenho financeiro em 2007. O motivo para essa expectativa é a perspectiva de uma guinada nos resultados da companhia. Em anos anteriores, a Natura acostumou os investidores a receber excelentes notícias no dia da divulgação de seu balanço anual. A trajetória foi ligeiramente alterada no fim de 2006, quando seus executivos anunciaram queda no lucro no último trimestre do ano. À época, a empresa informou que os resultados fracos eram pontuais e seriam revertidos em 2007 -- o que tornou a divulgação do balanço ainda mais aguardada. Para tentar antecipar os números, EXAME ouviu os mais conceituados analistas responsáveis pela cobertura da Natura em sete bancos de investimento e teve acesso aos relatórios de mais um. Suas projeções mostram uma notável convergência: caso os bancos estejam corretos, a Natura divulgará no dia 27 um dos piores resultados de sua história.

De acordo com a análise dos financistas, a Natura vai anunciar uma conjunção de números decepcionantes. O primeiro deles é a taxa de crescimento da receita, estimado em 11% e muito inferior à média histórica de 27%. O lucro, ainda de acordo com as projeções, crescerá menos. Os mais pessimistas esperam queda de 4% no resultado. Os mais otimistas, crescimento de 5%, considerado fraco. Finalmente, a rentabilidade da Natura deve fechar o ano em 22,7%, 1 ponto percentual menos que no ano anterior e 2 pontos menos que o número obtido em 2005. O reflexo dessa queda no desempenho vem sendo percebido na cotação das ações da Natura na bolsa de valores. A queda no valor de mercado da companhia foi de 45% em 2007. O caso da Natura -- um dos empreendimentos brasileiros mais bem-sucedidos nas últimas décadas -- é um poderoso exemplo de quanto a vida de uma empresa aberta pode ser dura. A maior fabricante de cosméticos do país continua a crescer e a dar lucro. Continua a ter uma marca forte e uma grande participação de mercado. Mas, para um mercado de capitais movido a expectativas e viciado em crescimento, isso não é suficiente. Pode-se questionar se há racionalidade ou visão de longo prazo nisso. Mas essa é a vida como ela é. A visão do mercado fica clara na declaração de Marianna Waltz, analista de consumo do Banco do Brasil: "Isoladamente, os resultados da Natura não são ruins. O problema é que, se analisarmos o histórico da companhia, esse é claramente um tropeço".

A opinião dos analistas

A EXPLICAÇÃO PARA O DESEMPENHO recente da Natura tem duas vertentes. A primeira refere-se à estratégia de inovação da empresa. Para medir o ritmo de inovação, a companhia usa um índice que mostra quantos de seus produtos vendidos foram criados nos últimos dois anos. Esse índice caiu de 66,8% para 54,2% nos nove primeiros meses de 2007 em comparação com o mesmo período de 2006. "Como o negócio de cosméticos é movido por novidades, a empresa perdeu vendas e cresceu menos do que poderia", diz Ricardo Fernandez, analista de bens de consumo do banco Itaú. Outro ponto da estratégia da Natura, seu processo de internacionalização, foi em parte responsável pela queda na rentabilidade. Os esforços com a formação de equipes e a adequação de produtos para que a Natura pudesse entrar em sete países deram prejuízo de 46 milhões de reais nos nove primeiros meses do ano. Intensificadas em 2005, as operações internacionais da Natura correspondem hoje a 5% do faturamento total. Evidentemente, é uma aposta que seus controladores fazem no futuro. Mas que vem cobrando seu preço no presente.

A segunda explicação para a redução do ritmo de crescimento da Natura é o aumento da competição. Sua principal concorrente, a americana Avon, renasceu em 2006, depois de quatro anos com praticamente a mesma participação de mercado. No ano passado, suas vendas cresceram 16% no Brasil -- acima do setor e de sua grande rival. A imagem da empresa, antes desgastada e associada a produtos baratos, foi rejuvenescida com a ajuda de celebridades como a atriz Ana Paula Arósio. A ascensão da Avon é resultado de um programa global que elegeu o Brasil como prioridade para os investimentos da companhia. Desde então, a verba de marketing aumentou 270% (em 2007, a verba foi três vezes maior que a da Natura, segundo analistas). Essas medidas não só tornaram as vendas da Natura mais difíceis como forçaram a companhia a investir mais em marketing para fazer frente à concorrente. Nos três primeiros trimestres de 2007, as despesas comerciais da Natura aumentaram 18%.

Diante desse cenário e das acusações de reação letárgica, os executivos e controladores da Natura planejam um contra-ataque. Como permanece em período de silêncio até a divulgação de resultados no dia 27, a empresa não concedeu entrevista a EXAME. Mas analistas e executivos do setor adiantaram alguns pontos de seu plano de reação. Já se sabe, por exemplo, que a empresa vai anunciar em breve a contratação de um novo executivo para ocupar uma de suas posições mais importantes: a vice-presidência de marketing e vendas da operação nacional (responsável por 95% do faturamento da Natura). O escolhido é José Vicente Marino, que deixou a presidência da área de consumo da Johnson & Johnson no dia 14. A missão de Marino é ajudar a liderar "a virada da companhia", nas palavras de um executivo próximo à Natura. Atualmente, Alessandro Carlucci, presidente da Natura, acumula a função. Para completar, os três fundadores da Natura -- Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos -- estão mais próximos da operação. Seabra, por exemplo, voltou a fazer parte do comitê de produtos da companhia, do qual havia se afastado em 2005. (O afastamento do trio de fundadores da Natura está diretamente relacionado à abertura de capital, ocorrida em 2004. Na ocasião, Seabra, Leal e Passos levantaram 768 milhões de reais com a venda de uma participação de 22% no capital.)

As mudanças se estenderão também para a estrutura comercial da Natura. Até o terceiro trimestre de 2007, a produtividade das vendedoras caiu 3%. Para recuperar a eficiência das equipes, um novo nível hierárquico será criado entre as promotoras (funcionárias do departamento de vendas) e as consultoras (vendedoras). Hoje, cada promotora atende entre 500 e 1 000 consultoras, número considerado alto. Com o novo nível, essa responsabilidade será dividida com as "consultoras orientadoras", que supervisionarão, cada uma, 100 vendedoras. Assim, a companhia espera aumentar seu controle sobre o exército de vendedoras. O modelo é similar ao programa Leadership, da Avon, que aumentou em 2% o número de vendedoras e em 3% as vendas da empresa no começo da década. Os planos da Natura para 2008 incluem, também, a diminuição do portfólio de cosméticos, o lançamento de produtos para atender consumidores de menor renda e uma maior ênfase em inovação. Os investimentos em marketing devem aumentar 25%.

Os reflexos na bolsa

O esforço da Natura para melhorar os resultados e recuperar a confiança dos investidores agradou aos analistas, mas nenhum deles espera uma virada imediata. "Os melhores resultados da empresa só devem começar a aparecer no final do ano e no decorrer de 2009", escreveu o analista Tufic Salem, do Credit Suisse, em relatório de janeiro. "As margens ainda vão cair em razão do aumento dos investimentos em marketing e nas operações internacionais." O motivo para esse ceticismo é a percepção de que as mudanças acontecem num momento em que a competição se acirra ainda mais no mercado doméstico. A Avon, por exemplo, anunciou recentemente o lançamento da Liiv, sua primeira linha de produtos com apelo ecológico -- uma clara tentativa de roubar clientes cativos da Natura. Além disso, o varejo, um canal de vendas concorrente, passou a ganhar força. Em busca de produtos com melhores margens, supermercados, lojas de departamentos e farmácias estão dedicando espaços cada vez maiores de suas prateleiras a produtos de beleza. "A consolidação do varejo brasileiro como vemos hoje representa uma grande oportunidade para que marcas globais de cosméticos entrem no Brasil", escreve o analista do Credit Suisse. Os concorrentes pretendem aproveitar o que consideram um momento vulnerável da maior empresa de cosméticos brasileira -- cabe à Natura provar que estão enganados.


Leia mais em Exame

A nova obsessão da Natura

Desempenho das ações foi pior do que o esperado

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

JBSS3 - Friboi ON


Fatos e gráfico:

Dependendo do resultado das inspeções por parte dos órgãos de fiscalização da Comunidade Européia, o embargo à compra da carne brasileira pode ser suspenso e, com isso, a Friboi recuperar seu espaço como uma das maiores exportadoras do produto.

O gráfico mostra uma forte resistência no topo do canal de baixa. Passando de R$6,10 pode chegar aos R$ 7 e confirmar o pivot de alta com a inversão da tendência.

Edital da Cesp impede a participação de empresas estatais

O governo do Estado de São Paulo decidiu manter o veto à participação direta ou indireta de empresas estatais no leilão de privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo), de acordo com o edital de venda da empresa.

Tanto as distribuidoras Cemig (MG) quanto a Copel (PR) manifestaram publicamente o interesse em participar do leilão de privatização da Cesp, terceira maior geradora de eletricidade do país. A Cemig tenta viabilizar sua participação por meio da Light, energética do Rio, em que tem participação acionária. O governo paulista argumenta que o processo de desestatização foi definido por meio de lei estadual, que impede a venda para estatais de outros Estados.

A Cemig informou que "continua interessada" no leilão. Segundo a empresa, o departamento jurídico vai analisar o edital e estudar eventuais alternativas. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Copel na noite de ontem. O edital, divulgado ontem, confirmou ainda a realização do leilão no dia 26 de março, a partir das 10h, no antigo pregão da Bovespa, pelo preço mínimo de R$ 49,75 por ação. Com isso, o governo paulista deverá levantar pelo menos R$ 6,6 bilhões com a venda da estatal.

Os consórcios interessados deverão se pré-identificar até o dia 10 de março. Terão ainda de depositar garantias no valor de R$ 1,74 bilhão um dia antes do leilão. Os lances serão feitos por meio de envelopes fechados. A Bovespa abrirá o leilão em viva-voz se a segunda maior oferta pela Cesp for de pelo menos 90% do valor do maior lance. O objetivo é obter o maior valor possível pela geradora.

O edital afirma ainda que os novos donos da Cesp terão de manter o plano de previdência complementar dos funcionários compatível com as regras atuais. Determina também que sejam cumpridos os acordos trabalhistas fechados antes da privatização e que, em caso de demissão, a empresa implemente programas de qualificação para os profissionais.

O edital prevê ainda que o novo controlador mantenha por pelo menos três anos os atuais patrocínios da Cesp a programas de gestão do patrimônio histórico, de assistência a crianças, além de projetos ambientais como os viveiros de mudas nas regiões das usinas.

A Cesp tem seis hidrelétricas, sendo que apenas a de Porto Primavera teve a sua concessão renovada até 2028. Em 2011 vence a concessão da usina de Três Irmãos e, em 2015, a de Jupiá. O governo paulista foi pressionado para reduzir o preço mínimo das ações por não ter assegurada as concessões.

Pelo menos três consórcios devem disputar a Cesp. No total, 12 empresas foram ao "data room" --central de informações financeiras da empresa. Entre os favoritos estão a franco-belga Suez/Tractebel, dona da antiga Gerasul, a maior geradora privada no país. A Suez deve entrar na disputa com a Neoenergia, que tem entre os sócios a espanhola Iberdrola.

A distribuidora paulista CPFL, que tem capital de Votorantim, Camargo Corrêa, Bradesco e Previ, também deve formar um consórcio.

O terceiro grupo teria a participação da ítalo-espanhola Enel/Endesa, com uma possível adesão da portuguesa EDP, dona das distribuidoras Bandeirante (SP), Enersul (MS) e Escelsa (ES).

Fonte: Folha Online

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Vale tomará de bancos US$ 50 bi para levar Xstrata

Oferta é elevada a US$ 90 bi, segundo a agência Reuters

A Vale aumentou para US$ 90 bilhões a oferta de compra da mineradora anglo-suíça Xstrata e fechou financiamento de cerca de US$ 50 bilhões com oito bancos para a operação, de acordo com a agência Reuters.

A primeira oferta informal, de US$ 76 bilhões, ou 40 libras por ação, foi rejeitada pelos acionistas da Xstrata.

Segundo uma fonte próxima da operação, a Vale aumentou em 17% a proposta, após a Glencore -maior acionista da Xstrata, com 35%- pedir até 48 libras por ação.

A Vale já teria fechado financiamento com Santander, HSBC, BNP Paribas, Lehman Brothers, Credit Suisse, Citigroup, Calyon e Royal Bank of Scotland. Sete deles entrariam com US$ 6,7 bilhões cada um, e um, com US$ 3 bilhões.

Eles estariam procurando crédito de mais US$ 2,5 bilhões.
Um fundo de investimento de Londres que possui ações da trading Glencore International disse que a nova proposta deixa o negócio mais próximo. Segundo um administrador de carteira do fundo, a Glencore não aceitaria menos de 45 libras. "Pediram 48,5 libras. Achamos que está muito perto de a proposta ir para o papel."

No entanto, falta definir o que será pago em ação e dinheiro e se as condições da Glencore, como manter os direitos de comercialização de produtos como níquel, serão aceitas.
"Pela Glencore ela colocava o valor do negócio todo em ações na nova empresa que será formada. Eles acham que um acordo com a Vale faz muito sentido e terá muita sinergia, querem a maior parte possível em ações."

Uma fonte na Vale ouvida pela Reuters disse que o presidente da empresa, Roger Agnelli, e o diretor financeiro, Fábio Barbosa, estão em Londres, sede da Xstrata, finalizando o acordo.

Outras fontes, no entanto, declaram haver "discrepâncias significativas entre as duas partes" e que nenhum valor teria sido acordado.

Procurada, a Vale disse que não comentaria o caso. Caso ocorra nova oferta, as informações relevantes terão de ser divulgadas ao mercado no Brasil, segundo as regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A Lenda dos Macacos

Como funciona o mercado de ações

Uma vez, num vilarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por $10 cada. Os aldeões sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a $10 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça. Aí, o homem anunciou que agora pagaria $20 por cada macaco e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça.

Logo, os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para $25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.

O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por $50! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos macacos.

Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões: "Olhe todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender por $35 a vocês e quando o homem retornar da cidade, vocês podem vender-lhe por $50 cada."

Os aldeões, espertos, pegaram todas as suas economias e compraram todos os macacos do assistente.

Desse dia em diante, eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente macacos por todos os lados.

Agora você entendeu como funciona o mercado de ações.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Bematech ON - BEMA3

Bematech: prejuízo no ano do IPO

Um bem-sucedido IPO, em abril de 2007, levava a crer que a Bematech fecharia aquele ano com resultados virtuosos. Mas não foi o que aconteceu. Depois de estrear no mercado de capitais, a companhia paranaense registrou um prejuízo de R$ 5,3 milhões – ante lucro de R$ 5,2 milhões em 2006. Dois fatores pesaram contra a empresa, que é especializada em equipamentos e softwares de automação para o varejo. Um deles foi a dificuldade de concluir a integração com as fabricantes de software que ela adquiriu em 2007, especialmente a Gemco. Outro foi a suspensão de um incentivo fiscal que o governo paranaense concedia ao setor de microinformática no final do ano passado. Essa mudança conjuntural abateu a margem Ebitda (indicador de rentabilidade da operação) da Bematech. A boa notícia é que este problema tende a ser superado com o passar do tempo. "A relevância dos incentivos fiscais será cada vez no nosso Ebitda. No final de 2008, eles devem representar apenas 10% da margem", destaca Luciano Sfoggia, diretor de relações com investidores da Bematech.

Mesmo com os reveses de 2007, a Bematech segue investindo na aquisição e integração de novas empresas. As compras se concentram naqueles segmentos de hardware e software que a companhia ainda não atende. "Faltam muitas verticais [segmentos] de varejo no nosso portfólio", destaca Sfoggia. O varejo brasileiro, lembra ele, dá sinais de que terá novo crescimento de vendas em 2008. "A automação do varejo devido à fiscalização do ICMS deve aumentar os negócios neste ano", aponta o executivo da Bematech. A empresa projeta um incremento de 51% na receita de software com as vendas de pacotes e renovações de licenças de ERP. (Fernanda Arechavaleta)

A Bematech em 2007
Indicador Variação
Receita bruta: R$ 239,6 milhões + 22%
Prejuízo: R$ 5,3 milhões - 202,6%
EBITDA: R$ 18,9 milhões - 51,3%

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mercado Financeiro

Ibovespa termina o dia em queda de 0,89%, com Vale e NY

Da Agência Estado

A Bovespa teve nesta sexta-feira (15) seu segundo pregão consecutivo de baixa, numa sessão de liquidez reduzidíssima - foi o menor volume de 2008. O feriado do Dia do Presidente na próxima segunda-feira (18) nos Estados Unidos foi uma das explicações dos especialistas para o giro baixo desta sexta. Para a queda, a razão também veio de lá: indicadores e notícias ruins que reforçam os temores de recessão naquela economia.

A Bovespa encerrou a sessão em baixa de 0,89%, aos 61.271,9 pontos. Na mínima do dia, o índice bateu em 60.717 pontos (-1,78%) e, na máxima, atingiu 61.803 pontos (-0,03%). O desempenho desta sexta reduziu os ganhos de fevereiro a 3%. Na semana, a Bolsa subiu 3,71%, mas, no ano, acumula perda de 4,09%. O volume financeiro contabilizou apenas R$ 4,17 bilhões, bem abaixo da média diária de R$ 6,604 bilhões verificada nos outros quatro dias desta semana (desconsiderado o giro do vencimento de opções sobre Ibovespa, na quarta-feira).

O clima ruim vindo do exterior depois dos indicadores fracos anunciados nesta sexta nos EUA reforçou a atuação dos vendidos (investidores que apostam na baixa das ações) para o próximo vencimento de opções sobre ações, que acontece na segunda-feira (18). Estes investidores aproveitaram a queda do índice para "baterem" nas opções de Vale e Petrobras e, assim, gorarem a operação na segunda-feira. "Com isso, não há o exercício e eles embolsam o prêmio", segundo um profissional. Vale PNA cedeu 1,94% e Petrobras PN recuou 0,87%.

Além do movimento técnico, os negócios também reagiram ao péssimo índice Empire State norte-americano, que registrou a primeira queda abaixo de zero desde maio de 2005, e ao aumento acima das previsões no preço das importações. O terceiro índice ruim foi o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, que ficou num patamar menor do que o previsto. Apenas a produção industrial veio em linha, mas foi uma gota no oceano de notícias ruins desta sexta. Do noticiário, pode-se pinçar a previsão do Citigroup de que o banco suíço UBS terá que registrar baixa contábil entre US$ 10,96 bilhões a US$ 18,25 bilhões. Mas, como já ocorreu inúmeras vezes desde o início da crise, um banco fala de outro e o UBS também fez previsões nesta sexta. Mas elas foram mais abrangentes e indicavam que as instituições financeiras terão baixas de US$ 120 bilhões.

Outro dado relevante desta sexta foi o pedido feito pela seguradora de bônus FGIC ao Departamento de Seguros de Nova York para que possa se dividir em duas. Se aprovada, a divisão colocaria numa empresa a maioria dos bônus lastreados em hipotecas e, em outra, bônus municipais.

Na segunda-feira (18), é feriado lá fora, mas a semana reserva dados relevantes, especialmente na quarta-feira (20), quando saem a inflação no varejo americano (CPI) e o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) divulga a ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto realizada em janeiro.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Corretoras apontam as dez melhores ações de 2008

Após cinco anos de fartura no mercado acionário, os investidores se perguntam se ainda há fôlego para mais um ano de vacas gordas. 2008 começou com queda nas bolsas de todo o mundo e, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a desvalorização já soma 10,7%. Apesar dos números negativos, é consenso entre os analistas que ações continuam sendo ótimas opções de investimento no longo prazo, mas quem decidir aplicar seu dinheiro na Bolsa terá de ter muito mais sangue frio daqui pra frente para enfrentar as pedras que devem surgir no caminho. "Nunca houve tanta certeza de que teremos mais incerteza pela frente", afirma o chefe da área de Pesquisa da corretora Ágora, Marco Melo.

Em relatório, o especialista destaca como fatores de risco o agravamento da crise hipotecária nos Estados Unidos, o aumento da inflação em diversos países - incluindo o Brasil - e a desaceleração no crescimento das economias da China e da Índia. Por outro lado, a expectativa de que o Brasil obtenha o grau de investimento ainda este ano e as perspectivas positivas para as empresas brasileiras – com o aumento do consumo interno – fazem com que as corretoras projetem uma valorização de até 33% para o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que fecharia o ano aos 85.000 pontos, nas avaliações mais otimistas. O resultado seria o triplo do retorno previsto para a renda fixa no período.

Mas quais são os papéis mais promissores da Bolsa? Para responder essa pergunta, o Portal EXAME consultou 15 corretoras, que destacaram as ações com melhores expectativas para 2008. Os dez papéis mais indicados você confere abaixo. Ações de empresas de consumo e bancos estão entre as mais atraentes, devendo ser beneficiadas pela expansão da renda e aumento do crédito. O setor de infra-estrutura, que cresce com o desenvolvimento da economia, também é apontado como boa opção.

Petrobras (PETR4) - 12 indicações
(Indicada pelas corretoras Ágora, Alpes, Banco Real, Elite, Fator, Geral, HSBC, Itaú, Planner, SLW, Souza Barros e Infinity Asset Management)
O aumento dos investimentos da empresa para exploração e produção de petróleo, aliado à descoberta do campo de Tupi, traz boas perspectivas para a companhia. O preço do produto está em alta no mercado internacional e a demanda é crescente, puxada principalmente pelas economias asiáticas. Além disso, a descoberta de uma reserva de gás natural no Peru fortalece os negócios da companhia fora do Brasil.
Principal fator de risco: variação no preço do petróleo

Vale do Rio Doce (VALE5) - 11 indicações
(Indicada pelas corretoras Ágora, Alpes, Banco Real, Elite, Fator, Geral, HSBC, Itaú, Planner, SLW, Souza Barros e Infinity Asset Management)
A perspectiva de aumento entre 30% e 50% no preço do minério de ferro em 2008 e a crescente demanda da China e da Índia devem manter a empresa na lista das mais rentáveis neste ano. As últimas aquisições garantiram à companhia maior poder de negociação e um portfólio diversificado de produtos.
Principal fator de risco: queda no preço das commodities

Gerdau (GGBR4) - 8 indicações
(Indicada pelas corretoras Alpes, Banco Real, Fator, Itaú, Link, Santander, Souza Barros e Infinity Asset Management)
O forte crescimento do setor imobiliário no Brasil favoreceu os negócios da companhia, que é grande fornecedora de aço para a construção civil. A crise das hipotecas teve efeito praticamente nulo nos negócios da empresa nos Estados Unidos, já que apenas 5% de suas vendas no país são destinadas ao setor residencial.
Principal fator de risco: variação no preço das commodities e redução da demanda interna

Bradesco (BBDC4) - 6 indicações
(Indicada pelas corretoras Ágora, Banco Real, Elite, Itaú, Link, Planner)
2008 deve ser mais um ano de forte expansão do crédito, que pelas contas dos analistas pode ultrapassar a casa dos 20%. As perspectivas de taxa de juros estáveis – ou até mesmo crescentes, dependendo da inflação – devem garantir bons lucros aos bancos. Além de uma ampla carteira de crédito, o Bradesco conta com um portfólio de produtos de seguros, previdência e capitalização, responsável por 30% de seu lucro e que garante a diversificação das fontes de receita.
Principal fator de risco: piora na conjuntura econômica

CPFL Energia (CPFE3) - 6 indicações
(Indicada pelas corretoras Fator, Geral, Link, Planner, SLW, Souza Barros)
A companhia atende a consumidores do interior de São Paulo, região que cresce a taxas elevadas e mantém alta renda per capta. Com novos investimentos em geração e distribuição de energia, a expectativa é de que a empresa mantenha sua rentabilidade na faixa de 35% ao ano, mesmo com uma possível revisão negativa em suas tarifas.
Principal fator de risco: redução nas tarifas

ALL – América Latina Logística (ALLL11) - 5 indicações
(Indicada pelas corretoras Ágora, Fator, Geral, Santander e Spinelli)
As más condições de conservação das estradas brasileiras e as perspectivas de bom desempenho para o setor agrícola nos próximos meses colocaram a ALL na lista das ações preferidas das corretoras. A companhia investiu forte na ampliação de sua área de atuação ao assumir o controle da Brasil Ferrovias, em maio de 2006. Com a operação, a ALL, que já detinha a concessão de ferrovias nas regiões sul e sudeste e parte da Argentina, passou a operar também a rede ferroviária do centro-oeste do país.
Principal fator de risco: redução na demanda

Perdigão (PRGA3) - 5 indicações
(Indicada pelas corretoras Banco Real, Elite, Itaú, Link e Infinity Asset Management)
O aumento da demanda mundial por carnes, decorrente do crescimento da população, deve impulsionar os negócios da Perdigão, que já superou as perdas geradas pela gripe aviária de 2006. A empresa também é beneficiada pelo aumento nos níveis de emprego e renda, que impulsionam o consumo interno. Sua política agressiva de aquisições – recentemente a empresa comprou a Eleva, depois de já ter levado a Batávia – é outro ponto positivo apontado pelos analistas.
Principal fator de risco: inflação

Cemig (CMIG4) - 4 indicações
(Indicada pelas corretoras Banco Real, Elite, Link, SLW)
O aumento nos preços da energia elétrica, a forte demanda e o temor de um novo racionamento criaram um cenário favorável às geradoras no Brasil. Segundo os analistas, dentre as companhias do setor, a Cemig é uma das que apresenta maior oportunidade de ganhos, já que suas ações estão cotadas a um valor bastante abaixo de seu preço justo. Sua política de investimentos e a administração livre de pressões políticas – apesar de se tratar de uma empresa mista – são apontadas como vantagens da empresa sobre a concorrência.
Principal fator de risco: redução nas tarifas

Telesp (TLPP4) - 4 indicações
(Indicada pelas corretoras Banco Real, Elite, Fator, SLW)
Apesar da tendência de queda nos ganhos em função da redução no tráfego de voz, a empresa continua sendo fortemente recomendada pelas corretoras, que consideram seu atual preço na Bolsa atraente. Além disso, a companhia é considerada uma das melhores pagadoras de dividendos no Brasil.
Principal fator de risco: reestruturação do setor

Ambev (AMBV4) - 4 indicações
(Indicada pelas corretoras Banco Real, Fator, HSBC e Link)
O incremento na renda da população brasileira também vem elevando as vendas da Ambev. Apesar de atuar num mercado já considerado maduro, a empresa tem registrado crescimento não só em decorrência da alta na demanda interna, mas também devido ao aumento nas margens de lucros das operações na América do Norte. As ações da companhia são bastante indicadas em momentos de grande instabilidade na Bolsa devido ao seu perfil defensivo – caem menos que a média do mercado.
Principal fator de risco: inflação

Continua em EXAME

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

bovespa reage bem ao Fed e fecha na máxima, em alta de 1,28%

A decisão do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) sobre a taxa básica de juros dos Estados Unidos foi ao encontro do que previam as apostas majoritárias do mercado financeiro. Assim, depois de passar o dia na retranca, à espera do anúncio, os investidores fizeram o que também era previsto: foram às compras. Na Bovespa, a alta após a decisão do Fed demorou a se firmar, já que houve um momento de forte volatilidade. Mas o índice conseguiu voltar ao patamar de 60 mil pontos, onde encerrou a sessão.

O Ibovespa fechou na máxima do dia, em alta de 1,28%, aos 60.289,4 pontos. Na mínima, atingiu 58.752 pontos (-1,31%). Com o desempenho desta quarta-feira (30), a queda acumulada em janeiro e 2008 foi reduzida a -5,63%. O volume financeiro desta quarta foi mais fraco e somou R$ 5,15 bilhões. Às 18h21, em Nova York, o índice Dow Jones subia 0,96%, o S&P evoluía 0,94% e o Nasdaq tinha ganhos de 1,06%.

Segundo um profissional do mercado, a volatilidade que se seguiu ao anúncio na Bovespa decorreu da falta de novidades da decisão do Fed. "Todo o mundo já estava esperando o corte como foi. E como nos últimos dias a alta da Bolsa foi sustentada por um movimento de tesouraria, estas instituições aproveitaram o momento para vender", justificou.

O Fed cortou a taxa básica e a de redesconto (crédito emergencial para bancos) em 0,50 ponto porcentual, para 3% e 3,5% ao ano, respectivamente. Na semana passada, já havia reduzido ambas, em reunião extraordinária, em 0,75 ponto. O placar do encontro desta quarta foi de 9 a 1 e, depois da reunião, os contratos de juros futuros nos EUA projetavam 100% de chance de um novo corte na reunião do Fed em março, de 0,25 ponto, para 2,75% ao ano. No comunicado em que traz a nova taxa, o Fed avaliou que a redução deve promover um crescimento moderado para a economia, embora os riscos ainda prevaleçam. Além disso, o BC disse que os mercados estão sob um "estresse considerável" e que agirá quando necessário para lidar com os riscos.

Com as medidas para combater a crise dadas, agora resta ao mercado reagir aos indicadores, balanços e notícias sobre o problema que teve origem nos financiamentos imobiliários de alto risco (subprime) - e que ainda está longe de ter uma solução. A única certeza, segundo os profissionais consultados, é que a volatilidade continua, principalmente com indicadores econômicos, que têm sido desencontrados. Nesta quarta, por exemplo, o dado do PIB norte-americano foi ruim (subiu 0,6% no quarto trimestre de 2007, ante projeção de 1,2%, e subiu 2,2% no ano, o valor mais baixo desde 2002), enquanto o número de postos de trabalho criados no setor privado em janeiro atingiu 130 mil, ante estimativas de 45 mil. Ainda é cedo para saber em que ritmo está a economia dos EUA. (AE)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Desvalorizada na Bovespa, Gol anuncia recompra de 5 milhões de ações


Devido a sua forte desvalorização após o início da crise aérea, a Gol anunciou hoje que vai recomprar 5 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto). Considerando o preço de fechamento dos papéis ontem (33,36 reais), a operação custaria ao caixa da Gol cerca de 167 milhões de reais.

A empresa chegou a cogitar no ano passado recomprar todas as suas ações em circulação e voltar a ser uma companhia fechada. Com a má repercussão da operação, entretanto, informou neste mês ao mercado que desistiria dessa possibilidade.

A desistência acentuou ainda mais o movimento de queda livre das ações da Gol negociadas na Bovespa.Os papéis preferenciais da empresa, que chegaram a ultrapassar 80 reais em maio de 2006, iniciaram movimento de forte desvalorização após o acidente de aéreo de setembro de 2006 e o início das paralisações dos controladores de vôo. No início de 2008, quando as ações finalmente começavam a se estabilizar em patamares acima de 40 reais, vieram os temores de recessão nos Estados Unidos e novamente acentuaram o movimento de venda dos investidores.

No comunicado divulgado hoje, a Gol afirma que seu conselho de administração autorizou a recompra de 8,8% de suas ações preferenciais “considerando o atual nível de preço” dos papéis. Programas de recompra costumam gerar algum impacto positivo nas cotações, principalmente no curto prazo. Apesar de reduzirem a liquidez no longo prazo, devido ao menor volume de papéis em circulação, o investidor ganha com o programa a certeza de que haverá alguma demanda pela ação em caso de estresse no mercado. Além disso, a empresa sinaliza aos investidores que acredita que os próprios papéis vão se valorizar no futuro.

As ações recompradas deverão ser mantidas em tesouraria para posterior cancelamento ou revenda, sem prejuízo aos atuais investidores. Como é praxe no mercado, o período de recompra deve durar 365 dias, contados a partir de hoje.

A empresa também decidiu fixar o valor de seus dividendos trimestrais em R$ 0,18 por ação ordinária ou preferencial. Se esse valor não alcançar 25% do lucro líquido da empresa, deverá ser elevado.

Fonte: EXAME

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Bolsa na Madrugada


E a águia ainda não acordou. Se levantar com o berro dos ursos, ninguém segura.

Segunda foi descanso para comemorar Martin L. King. A coisa está negra! Quem é que vai descolar? Agora é que vai começar a valer, quando tocar o sino em Wall Street tocar, vamos ver se US150 bilhões resolvem a parada. Da última vez teve que ser colocado o tamanho do PIB
americano em dinheiro, não sabemos se neste momento apenas 1% vai bastar. Rezem.

OURO

China já é o maior produtor mundial de ouro

Depois de se manter por mais de um século como o maior produtor mundial de ouro, a África do Sul perde a posição para a China. Segundo levantamento da consultoria de metais britânica GFMS, divulgado pelo Financial Times na sexta-feira (18), a produção de ouro chinesa aumentou 12% no ano passado em relação a 2006 e chegou ao recorde de 276 toneladas. Enquanto isso, a África do Sul viu cair a sua produção de 296 toneladas em 2006 para 272 toneladas no ano passado. A liderança da China no segmento começou a se desenhar com a disparada da sua produção de ouro na última década que chegou a avançar 70%. Além do ouro, a China também é o maior produtor global de alumínio, zinco e chumbo e o segundo produtor de estanho.


Análise Fundamentalista - Mapa do Mercado

Publicado em Seagull Trading.com

Para os amigos que ficaram órfãos de informações fundamentalistas com a descontinuidade anunciada do serviço gratuito oferecido pela Economatica, que disponibilizava o snapshot com os números, gráficos e lucro das empresas listadas na Bovespa, uma dica:

Este site do INI - Instituto Nacional dos Investidores não é tão complexo quanto aquele que estávamos acostumados, mas é de fácil acesso e visualização. Através da seleção do campo pelo cursor (mouse), ele pode ajudar os investidores a perceberem alguns dados como o PL, dividend yeild, volatilidade dos ativos relacionados, tudo dividido por setores neste Mapa do Mercado:


clique na imagem para ampliar

O endereço e link para lá é http://mapamercado.vci.com.br/

Abs ^v^

sábado, 12 de janeiro de 2008

Telemar e Brasil Telecom: uma gigante em gestação

Desde que anunciou a intenção de adquirir as operações da Brasil Telecom, na última quarta-feira (09), a Telemar vem registrando uma forte alta no valor de suas ações. Pudera: se o negócio se confirmar, a operadora se tornará a maior empresa de telecomunicações do Brasil, com um faturamento anual de aproximadamente R$ 40 bilhões, segundo os cálculos da consultoria Teleco (com base nos resultados de ambas as companhias em 2006). Além disso, a possível aquisição conta com o apoio explícito do governo federal. O ministro Hélio Costa, das Comunicações, já disse que o governo poderá até alterar alguns trechos do Plano Geral de Outorga (PGO, como é conhecido o documento que regula as áreas de atuação de cada empresa de telefonia) para permitir que a aquisição se concretize. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acena com um financiamento de R$ 4,8 bilhões para viabilizar a compra. “Teríamos o maior grupo de telefonia brasileiro com capital nacional”, aponta Ethevaldo Siqueira, diretor da consultoria Telequest.

Mas a aquisição da Brasil Telecom pela Telemar está longe de ser uma unanimidade. Alguns analistas temem que a participação do BNDES no negócio acabe afugentando investidores estrangeiros – ainda mais se as regras do PGO forem alteradas. “Isso preocupa porque o BNDES é uma instituição federal que objetiva o desenvolvimento do país e o aumento da competitividade. Esse negócio não irá reduzir preços, nem agregar tecnologia e ainda resultará em cortes de empregos”, destaca Luis Cuza, presidente executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicação Competitivas (Telcomp). Ele se refere, principalmente, ao serviço de telefonia fixa. Juntas, Telemar e Brasil Telecom cobrem 97% do território e têm acesso a 65% da população brasileira. “Nasceria uma superempresa. E com dinheiro público - que é muito mais barato. Isso é injusto para o investidor privado, que tem de pagar o preço de mercado para poder operar”, reclama o líder da Telcomp.

O negócio – Num primeiro momento, La Fonte e a AG devem se tornar os principais acionistas da Telemar, com a compra da parte da GP Investimentos. Depois disso, os controladores da Telemar comprariam a posição do Citigroup e de fundos de pensão estatais, com o financiamento do BNDES. O banco brasileiro é o controlador majoritário da Telemar, com 25%

Ações de frigoríficos dão prejuízo a investidores no 1º ano de Bovespa

Papéis são pressionados pela alta da matéria-prima e pelas barreiras às exportações

Um dos setores mais castigados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no ano passado, os frigoríficos de carne bovina causaram grandes prejuízos aos que apostaram nos seus papéis. Quem investiu na oferta pública inicial dessas companhias (IPOs, na sigla em inglês), por exemplo, viu suas aplicações encolherem ao ritmo de dois dígitos. Com base no preço de distribuição do IPO, as ações da JBS-Friboi despencaram 25% até o último pregão do ano passado (28/12); as da Marfrig, 10,30%. A maior perda coube ao Minerva (-40,60%). As perdas continuam no início de 2008. Até o fechamento desta quinta-feira (10/1), as quedas acumuladas desde os IPOs são 13,12%, 10,23% e 43,24%, respectivamente.

A desvalorização reflete os percalços que surgem no caminho das empresas desde o ano passado. O primeiro deles é o aumento da matéria-prima – sobretudo o preço do boi, que representa cerca de 80% dos custos de um frigorífico. Até 2006, a arroba do boi (medida equivalente a 14,689 quilos) sofreu sucessivos recuos, por conta da crise causada pelo surgimento de focos de febre aftosa no país, o que acarretou o embargo de várias nações à carne brasileira. Por volta de maio de 2006, a arroba chegou a ser comercializada por 49 reais. "Deflacionado, esse preço foi um dos menores da história", diz José Vicente Ferraz, diretor da Agra FNP, consultoria especializada no setor.

Em 2007, o ciclo de preços se inverteu. A cotação do boi, que iniciou o ano na casa dos 54 reais, rompeu o patamar de 70 reais pela primeira vez na história em novembro e fechou dezembro a 71 reais, depois de atingir um pico de 78 reais em daquele mês. Nos primeiros dias de janeiro, o preço continua acima de 70 reais, segundo a Agra FNP. Na base desse aumento, está a redução do rebanho efetuada pelos pecuaristas, que procuraram cortar custos e controlar a oferta de carne. Os dados ainda são preliminares, mas o censo em elaboração pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que o rebanho bovino brasileiro pode ter encerrado 2007 em 169,9 milhões de cabeças, uma queda de 17% sobre os 205 milhões estimados em 2006.

Para os frigoríficos, isso significa pressão sobre os custos e menores margens – algo que os investidores não gostam de ver nos balanços. No caso da Marfrig, a margem Ebitda recuou de 12% para 11% entre o segundo e o terceiro trimestres. Sem a americana Swift, comprada em meados do ano passado, a margem de ebitda da JBS-Friboi baixou de 14,1% para 13,1% na mesma comparação. E o Minerva viu sua margem encolher de 9,2% para 7%. "Na bolsa, os papéis reagiram muito mal a esses números", afirma Rafael Cintra, analista de investimentos da Link Corretora.

Mercado fechado

Quando realizaram seus road shows de abertura de capital, no ano passado, os frigoríficos tentaram seduzir os investidores com o argumento de que o Brasil se firmará como o principal exportador de carne do mundo. O país, de fato, já o é, e responde por cerca de um terço das exportações globais do setor. Até novembro do ano passado – últimos dados disponíveis – os embarques de carne somavam 10,057 bilhões de dólares, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A cifra é 29,24% superior à do mesmo período de 2006.

As perspectivas traçadas pelas companhias para os investidores, porém, indicavam que o espaço para a expansão dos negócios internacionais cresceria muito rápido. Os americanos utilizam a técnica de confinamento para criar bois, o que significa custos maiores com ração, por exemplo. Os europeus não dispõem de terras disponíveis para pastos, e o confinamento também é um recurso caro. Já os asiáticos vivem uma intensa urbanização, que eleva a demanda por carnes, ao mesmo tempo em que retira mão-de-obra do campo. Tudo isso somado, o Brasil tem condições de ampliar sua liderança, pois conta com um sistema mais barato de produção – o de pastos – e ainda possui grande quantidade de terra disponível.

Embora, no longo prazo, esse cenário seja bastante provável, o que se viu nos primeiros instantes após as aberturas de capital foi justamente o contrário. Liderados pela Irlanda e pela Inglaterra, os produtores europeus lançaram uma pesada campanha contra a carne brasileira, acusando-a de não-confiável e clamando pelo embargo total. Os europeus argumentam que a vistoria realizada nas plantas brasileiras, em março do ano passado, constatou problemas de controle sanitário e rastreabilidade.

Embora nenhuma restrição efetiva tenha sido adotada até o momento, a campanha dos pecuaristas europeus surtiu efeito em um dos maiores mercados consumidores do Brasil, a ponto de comprometer as exportações. Entre janeiro e maio de 2007, os embarques totais de carne in natura (principal produto vendido pelo Brasil) somaram 1,470 bilhão de dólares. A cifra representou um salto de 43,46% sobre o mesmo período de 2006. De junho a novembro, quando os ataques europeus se intensificaram, as remessas somaram 1,766 bilhão de dólares, ou 4,54% menos que os 1,850 bilhão do período comparado.

O último episódio é a disputa entre o Brasil e a União Européia, que pretende restringir fortemente o número de fazendas aptas a fornecer carne para seu território. As notícias mais recentes indicam que os europeus pretendem habilitar apenas 300 fazendas, de um universo de 14.000 cadastradas pelo Sistema de Rastreamento de Gado (Sisbov) do governo brasileiro.

O impacto para os frigoríficos pode ser grande. Mesmo que mais fazendas sejam autorizadas – além das 300 citadas – o mercado espera que o preço do boi para exportação suba. Isso significará outra fonte de pressão sobre os custos das companhias. Além disso, caso não contem com uma rede bem pulverizada de fornecedores, os frigoríficos poderão ficar de fora do mercado europeu. No caso das grandes companhias listadas em bolsa, essas restrições pesarão na cotação dos papéis.

Reação

A velha lei da oferta e da demanda também funciona entre pecuaristas e frigoríficos. Com a maior procura por bois, as fazendas tendem a retomar a ampliação dos rebanhos e os preços tendem a se estabilizar ou até mesmo recuar. Contudo, isso é um ciclo lento, que deve demorar pelo menos três anos – justamente o tempo para que um boi seja criado e abatido.

Até lá, os frigoríficos devem responder ao aumento de custos de outra forma: com aquisições, internacionalização e produtos de maior valor agregado. Isto porque a capacidade de repassar custos para o resto da cadeia é limitada. De acordo com dados de outra consultoria especializada no setor – a Scot -, o preço do boi gordo subiu 65,1% no ano passado no estado de São Paulo. Já o preço da carne vendida pelos frigoríficos a seus clientes aumentou 55,7%. E, no mercado externo, a alta foi ainda menor – 37,1%.

É isto que explica os acordos como o fechado nesta semana pelo Minerva com a irlandesa Dawn Farms Food, por exemplo. A planta comum será construída em Barretos (SP) e vai produzir carne cozida congelada – um item ainda fora do portfólio da companhia. "Acreditamos que é saudável agregar valor aos nossos produtos", diz Fernando Galletti de Queiroz, CEO do Minerva. Nesta mesma linha, o Marfrig comprou, em 2 de janeiro, a processadora argentina de carnes Mirab, líder em petiscos de carne seca no país. O negócio contou com um atrativo a mais – a entrada da brasileira nos Estados Unidos, por meio da subsidiária da Mirab naquele país.

Fonte: EXAME

sábado, 5 de janeiro de 2008

EUA: o fim do império do Dolar

As bolsas de valores dos Estados Unidos desabaram nesta sexta-feira, com o Nasdaq registrando sua pior queda percentual diária em quase um ano, após dados mostrando um aumento no desemprego norte-americano alimentarem preocupações de uma recessão.

O índice Dow Jones registrou queda de 1,96 por cento, a 12.800 pontos. O Standard & Poor's 500 caiu 2,46 por cento, a 1.411 pontos, enquanto o Nasdaq despencou 3,77 por cento, a 2.504 pontos. As ações de tecnologia tiveram o pior desempenho no dia. O Nasdaq teve seu sexto dia seguido de queda, após a Intel ter recuado 8,1 por cento sobre preocupações de que empresas não devem atualizar seus computadores frente a uma desaceleração econômica.

Nesta sexta-feira, o Departamento de Trabalho divulgou uma criação menor que o esperado de 18 mil novos postos de trabalho e a taxa de desemprego subiu para o maior patamar em dois anos, a 5 por cento.

Em um sinal de que investidores estavam se garantindo para enfrentar difíceis tempos da economia, os raros ganhadores do mercado foram setores defensivos como o de fornecimento público de energia, farmacêuticas, alimentos e de outros produtos tidos como essenciais para a vida diária.

"Os números sobre a criação de postos de trabalho estão mostrando que não temos os empregos, e se você não tem salários você não há consumidores fazendo qualquer tipo de gastos", disse Gary Shilling. "Eu não acho que há muitas dúvidas de que estamos em recessão agora."

Fonte : Reuters

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Início de ano com ATA do FED

O Federal Open Market Committee, comitê de mercado aberto do Banco Central dos EUA, divulgou hoje a minuta de sua última reunião realizada em 11 de dezembro, quando reduziu o juro básico norte-americano em 0,25 ponto percentual, para 4,25% ao ano.

Em linhas gerais, a autoridade monetária norte-americana balizou sua decisão nos riscos à atividade econômica do país, resultantes do crescente enfraquecimento do mercado imobiliário associado à deterioração do crédito.

Além disso, há projeções de que a inflação possa recuar neste ano, mas ainda existem riscos de pressões decorrentes da elevação de preços de commodities e energia.

O Fed também evidenciou no documento preocupação com o cenário prospectivo para a economia, dadas as incertezas associadas a este e consideradas "incomuns" pela autoridade monetária, revelando que a turbulência nos mercados financeiros pode se elevar, intensificando a contração no mercado imobiliário e restringindo outras formas de gastos públicos.

Eric Rosengreen foi o único membro que votou a favor de um corte de 0,50 ponto percentual na Fed Funds Rate. A sua percepção foi de que a combinação da deterioração do mercado imobiliário, combinado a redução de gastos dos consumidores e empresários, preços de energia mais altos e fraco desempenho dos mercados financeiros elevam os riscos de manutenção do enfraquecimento da economia.

Fonte: Infomoney